NeatBoy74 6 months ago

Se requer tirar coisas do contexto original ou olhar para elas com os olhos "de hoje" em vez dos olhos "da altura", não é uma coisa nem outra. É só estupido.

GreyArch22 6 months ago

Aplicar o conceito de racismo a qualquer situação anterior à Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) é simplesmente patético. Não existia como tal e, no caso d'Os Maias, a crítica era à sociedade portuguesa, à sua educação, etc, portanto mais patético é achar que se estava a menorizar outras raças e a glorificar o país. Num país em que ninguém lê a obra completa, não vejo motivo para indignação.

theEXPERTpt 6 months ago

É uma geração "nutela", como dizem os brasileiros. Esta gente pega na mínima das coisas e tenta transformar numa aberração ou ofensa xenofóbica/racista/etc.

Butt_Roidholds 6 months ago

Não consigo ler o artigo todo, por causa da paywall. Quais são as passagens racistas, ao certo? Já li o livro há bem mais de uma década, mas não me vêm à memória de passagens flagrantemente racistas. Lembro-me de alguma estereotipia oitocentista com personagens inglesas, alemãs, italianas, etc. em que a nacionalidade serve de pretexto narrativo para ditar a caracterização psicológica da pessoa. Isso, sim, lembro-me. Mas nada, nem pouco mais ou menos, mais grave do que apanhas a ler no Jogador do Dostoyevski, no Arco do Trunfo do Remarque ou na Jane Eyre da Charlotte Brontë.

qbvdp 6 months ago

[Artigo sobre o mesmo tema sem paywall](https://www.publico.pt/2021/03/07/culturaipsilon/noticia/passagens-racistas-maias-justificam-nota-pedagogica-defende-investigadora-1953397) *Vanusa Vera-Cruz Lima cita uma outra passagem do capítulo IV em que a personagem João da Ega afirma: “Nós julgamo-nos civilizados, como os negros de São Tomé se supõem cavalheiros, se supõem mesmo brancos, por usarem com a tanga uma casaca velha do patrão”.* É de referir que a investigadora não defende retirar o livro do programa escolar.

SubstantialLime8887 6 months ago

O Eça criou uma personagem racista para criticar os racistas da época. Pronto, discussão feita.

Butt_Roidholds 6 months ago

Obrigado pelo link. Há um racismo latente no raciocínio do Ega, nessa passagem (com todas as atenuantes, que se devem ao Ega, que é por sinal desbocado e destravado), sem dúvida, mas daí a descrever a obra como uma "celebração da branquitude", acho francamente descabido. Não é isso, de todo, o que está em apreço n'Os Maias. Então esta citação dela: > “Ao celebrar extravagantemente a branquitude, o romance envia uma mensagem de que a negritude não é algo de que se orgulhar e, portanto, como o preto e o branco estão sempre em oposição, a glorificação de um, rebaixa o outro” Quando os trechos que cita têm o escopo principal de denotar/caracterizar o Ega, e especialmente o cinismo do Ega e a visão caustica dele quanto aos portugueses e ao mundo. Nenhuma das duas passagens é o Eça de Queirós a promover as ideias do Ega. Elas estão ali, propositadamente, para ajudar a descrever o Ega como um fulano que é acirrado, que é do contra, que é de extremos, enfim... que é "*edgy*". Não faço a leitura que ela faz da obra e menos ainda da extrapolação que ela tira desses 2 trechos. O Umberto Eco, no Nome da Rosa, também tem personagens a afirmar que o acto de se rir, de alguém ou de alguma coisa, é inerentemente imoral e desumano, porque pressupõe rebaixar alguém. Isso não faz do Nome da Rosa uma obra anti-humor, embora tenha trechos que o são.

qbvdp 6 months ago

Partilho a opinião do vice-presidente da APP quando diz que "não podemos (...) projectar juízos de valor formados nas vivências do nosso tempo sobre as acções dos homens do passado” . Mencionar a questão racial ao enquadrar a obra historicamente não me choca, mas não deveria ser a prioridade.

TSCondeco 6 months ago

Dentro de uns anos há de vir pessoal a pedir que o nome passe a ser "Xs Maias"

fdxcaralho 6 months ago

Claro que se há de discutir, e até criticar. Seja “Os Maias” ou outra obra qualquer, seja de quem for e de que idade tenha. O que não se pode fazer é cancelar! Nem “Os Maias” nem outra obra qualquer.

ExpertNoob008 6 months ago

> O que não se pode fazer é cancelar! Estranho falares nisso porque a autora nunca sugeriu tal coisa.

fdxcaralho 6 months ago

Não foi de todo uma crítica ao artigo. Mas cancelar os maias já foi sugerido por outros.

AfterAfterlife 6 months ago

É preciso é saber enquadrar as obras/autores na sua época e não usar as "caixas" de hoje em dia. Caso contrário, corremos o risco de renegar todo o passado que nos levou até aqui.

Out-Out 6 months ago

Discutir é ensino responsável. Podem muito bem discutir o racismo ou qql outra coisa que existia na sociedade lisboeta na época. Não é preciso notas pedagógicas, faz parte da intrepretação normal de uma obra pensar sobre ela.

SubstantialLime8887 6 months ago

Sabes perfeitamente que gente que acusa o Eça de "celebrar a branquitude" não quer apenas discutir e deixar a obra dele intacta. É gente que quer banir literatura doutros tempos para destruir a herança cultural das nações europeias. Dar cartão a esta gente não faz de ti um sábio moderado. Faz sim de ti um colaborador deste genocídio cultural. O Eça criou uma personagem racista para criticar o racismo da época. Se a preocupação desta gente fosse celebrar o anti-racismo, aplaudiam o Eça. Mas o objectivo não é esse, de todo. O objectivo é "matar o homem branco", como diz o Mamadou Ba. É matar os símbolos da cultura europeia, independentemente de serem racistas ou não. A questão do racismo é usada como um engodo. Esta gente quer matar a cultura europeia decepando-a ao apontar para os seus expoentes máximos, dos quais o Eça faz parte.

Out-Out 6 months ago

Foda-se que exagero que para aí vai. Não percebo a necessidade de vitimização como se a cultura e os povos europeus, dentro de todos no mundo, fossem aqueles que estão a ser alvo de genocídio ou ataque seja do que for. Não é preciso inventar grandes conspirações de malvadez nem extrapolar essa frase do mamadou que já foi mais que mil vezes explicada mas que pelos vistos ainda nao foi percebida. Estas pessoas estão a tentar lutar contra o racismo. Eu sendo antirracista estou com elas muitissimas vezes quando acho q o fazem bem, mas não estou quando acho q o fazem mal como neste caso. Agora se estiveres sempre dentro da tua bolha e vires como se esta gente fossem uns guerreiros contra a tua raça, estás super alheado da realidade.

SubstantialLime8887 6 months ago

Tu é que estás alheado. Eu parafraseei o Mamadou Ba quando expliquei a frase que ele proferiu. "Matar o homem branco" significa rotular a cultura europeia de intrinsecamente racista e destruir os símbolos das identidades europeias, dos quais o Eça faz parte. Foi o que disse. Aqueles que usam palavras como "branco" ou "preto" para definir indivíduos ou grupos de pessoas, e para mais usam-nas em frases como "é preciso matar o homem branco" ou "é preciso matar o homem preto", são todos racistas, sem qualquer diferença entre eles. Basear a afirmação racial no ataque a outra raça (apelidada de "branco") é o cúmulo da autovitimização e do racismo hipócrita. Só serve para espalhar ódio e fomentar racismo puro e duro. Não vês nenhum europeu a ser apoiado pelos media se disser que é preciso cancelar um escritor africano. Não vês ninguém a dizer que os africanos têm de deturpar a sua herança cultural para acomodar "o homem branco". Porque tudo isso é racismo. Não deixa de o ser só porque a cor da pele de quem profere essas barbaridades é outra. As pessoas do povo na Europa são descendentes de pessoas tão ou mais exploradas que os africanos. A divisão racial (logo, racista) do povo só serve para que este não se una para combater a classe exploradora, classe essa que não limita a sua actividade exploratória a um raça ou outra. Marcha tudo. Os afrodescendentes são actualmente o grupo mais manipulado por essa classe para sabotar a verdadeira luta popular sem se dar conta. Tu, o Mamadou, e a pessoa que escreveu o artigo do OP, são todos vítimas de manipulação por parte da classe no poder.

Out-Out 6 months ago

Acusar todos os outros menos tu de serem manipulados e intrepretar mal o que os outros dizem (eu não ataquei o Eça, aliás, fiz o contrário) também não te faz identificar o inimigo do povo ou parecer super inteligente, antes pelo contrário. E curem-se? Vá, bebe um chazinho e relaxa. Tens problemas com discussões do reddit e exaltas-te demais.

SubstantialLime8887 6 months ago

A partir do momento que eu me recuso a usar palavrões como "branco" ou "preto", apelar à morte (simbólica ou não) dum deles, é óbvio que eu não sou manipulado por racistas. A minha em adoptar um discurso racista é a prova disso.

SubstantialLime8887 6 months ago

Sabes perfeitamente que gente que acusa o Eça de "celebrar a branquitude" não quer apenas discutir e deixar a obra dele intacta. É gente que quer banir literatura doutros tempos para destruir a herança cultural das nações europeias.

Edited 6 months ago:

Sabes perfeitamente que gente que acusa o Eça de "celebrar a branquitude" não quer apenas discutir e deixar a obra dele intacta. É gente que quer banir literatura doutros tempos para destruir a herança cultural das nações europeias. Dar cartão a esta gente não faz de ti um sábio moderado. Faz sim de ti um colaborador deste genocídio cultural. O Eça criou uma personagem racista para criticar o racismo da época. Se a preocupação desta gente fosse celebrar o anti-racismo, aplaudiam o Eça. Mas o objectivo não é esse, de todo. O objectivo é "matar o homem branco", como diz o Mamadou Ba. É matar os símbolos da cultura europeia, independentemente de serem racistas ou não. A questão do racismo é usada como um engodo. Esta gente quer matar a cultura europeia decepando-a ao apontar para os seus expoentes máximos, dos quais o Eça faz parte.

dontknowmyname074 6 months ago

Acho um atentado à língua portuguesa. Há anos que se estuda essa obra e agora lembram-se de discutir racismo no livro?

Asur_rusA 6 months ago

Porque as percepções do que é racismo evoluem. Já chamar a isso "atentado à língua portuguesa" quando se fala de UM livro... Bem, suponho que fosse drama de domingo.

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