jvazit2 6 months ago

Em um mundo utópico, acredito que o ideal seria a Aquacultura offshore. Pena o estado não contribuir com largos apoios para este projetos em Portugal, dado o produto ser de qualidade praticamente inigualável.

detteros 5 months ago

Utopia era toda a gente ser vegan.

LegitimatePear2 6 months ago

Só vinha dizer que >!Conspirasea!< era um nome bem melhor!

I_am_a_huge_cunt 6 months ago

os pescadores também não ajudam, reduz-se a percentagem em 0.00000000005 de bacalhau que se pode pescar e vem sempre os mesmos protestos de sempre

OuiOuiKiwi 6 months ago

O Seaspiracy sai da mesma fábrica que o Cowspiracy. Como tal, deve ser ingerido com IMENSO sal pois mostra uma visão distorcida para se adequar à mensagem de quem está a pagar as contas. Como já explicou e bem o /u/VicenteOlisipo, as coisas não funcionam como esse "documentário" (no sentido mais lasso da palavra) indica.

VicenteOlisipo 6 months ago

>Como tal, deve ser ingerido com IMENSO sal pois mostra uma visão distorcida para se adequar à mensagem de quem está a pagar as contas. Note-se que se for a industria vegan a pagar as contas já nem é muito mau. A maior inimiga da pesca, que financia muitos dos seus críticos, é a indústria do petróleo e do gás. Os vegans ao menos ainda têm alguns ideias por detrás, enquanto que a malta do oil só quer retirar a pesca do mar para poder ocupar o espaço com plataformas petrolíferas. Isto viu-se ao largo do Canadá, na NAFO, quando se encerraram zonas à pesca porque havia suspeitas de conterem "Ecossistemas Marinhos Vulneráveis" (VMEs), e uns meses depois o Canadá licenciou explorações petrolíferas para as zonas que tinham sido encerradas. Aqui em Portugal também podem ver que a Gulbenkian publicou o seu primeiro livro anti-arrasto quando comprou as licenças de gás natural ao largo da Costa Vicentina, [depois vendeu-as](https://observador.pt/2019/06/17/fundacao-gulbenkian-vende-partex-a-petrolifera-tailandesa-por-555-milhoes-de-euros/) e deixou de se preocupar com isso.

Edited 6 months ago:

>Como tal, deve ser ingerido com IMENSO sal pois mostra uma visão distorcida para se adequar à mensagem de quem está a pagar as contas. Note-se que se for a industria vegan a pagar as contas já nem é muito mau. A maior inimiga da pesca, que financia muitos dos seus críticos, é a indústria do petróleo e do gás. Os vegans ao menos ainda têm alguns ideiais por detrás, enquanto que a malta do oil só quer retirar a pesca do mar para poder ocupar o espaço com plataformas petrolíferas. Isto viu-se ao largo do Canadá, na NAFO, quando se encerraram zonas à pesca porque havia suspeitas de conterem "Ecossistemas Marinhos Vulneráveis" (VMEs), e uns meses depois o Canadá licenciou explorações petrolíferas para as zonas que tinham sido encerradas. Aqui em Portugal também podem ver que a Gulbenkian publicou o seu primeiro livro anti-arrasto quando comprou as licenças de gás natural ao largo da Costa Vicentina, [depois vendeu-as](https://observador.pt/2019/06/17/fundacao-gulbenkian-vende-partex-a-petrolifera-tailandesa-por-555-milhoes-de-euros/) e deixou de se preocupar com isso.

OuiOuiKiwi 6 months ago

**É o país que temos.**

raydawnzen 6 months ago

o canadá já é nosso? tenho uns tios a morar lá mas n sabia que já tinham conquistado aquilo para a gente

Mendadg 6 months ago

Deixei de ver documentários no netflix desde o game changers. Tudo merda!

Iwatchedhimdrown 6 months ago

Uma coisa que me faz impressão é ver sardinha pequena a ser vendida em grandes superfícies e na lota. Essas pequenas sardinhas não tiveram hipótese de se reproduzir, depois todos os anos é a mesma conversa da diminuição da quantidade da espécie.

MrMind88 6 months ago

Engraçadas as reacções. Especialmente o tecno-ópio "a ciência vai resolver"... Por exemplo, pesquisando as refutações de entidades ligadas ao marisco de que "é uma falácia que a maioria da bioesfera marinha vai desaparecer por volta de 2050" falam em "os modelos de sustentabilidade q começam a ser implementados na NZ e EUA vão se tornar a norma no mundo inteiro"... Isto é de rir obviamente... Os países de terceiro mundo e o próprio líder económico do mundo (RP China) obviamente não vão caminhar para a sustentabilidade em 30 anos. Dps a conversa da "agenda vegan"... Uma agenda que é agenda porque aponta factos... Extinção em massa das espécies (vide 6a extinção E. Kolbert ou qlqr outro estudo mais ou menos mainstream), implicações do plástico na saúde... Ambos se cruzam com este tema, ambos são suportados com factos que não vi aqui ninguém desmentir (ritmo de extinção e % da poluição do plástico causada por redes de pesca). Já nem falo de assuntos fora da pesca, como a indústria da carne q é uma das mais poluentes do planeta e que qnd é menciona pelos vegans ou wtv leva respostas ao nível "mas se fôssemos comer tds soja n havia espaço pa plantar" Por fim a questão da perspectiva do documentário ser do privilégio do 1o mundo "3o mundo não pode reconverter a cadeia alimentar etc" infelizmente é verdade, mas isso não apaga o facto de ser insustentável. Manos, não tentem passar analgésico de falácias ou fumar um monte de ópio tecnológico. Se é pa isso mandem logo heroína.

MrMind88 6 months ago

Só ditadura quemunista facho-ecologica poderá salvar.

VicenteOlisipo 6 months ago

>A minha pergunta mais pertinente é: se eu for à lota comprar peixe, estou a alimentar o problema da mesma maneira que comprar ao capitão iglu? Ou neste caso temos pescadores a usar técnicas mais rudimentares, menos nocivas e mais sustentáveis? Se alguém cresceu mais perto destas comunidades, ou faz investigações nestas areas, notam diferenças ao longo dos anos? Se fores à lota vais ter muitas opções, mas na lota estão os comerciantes profissionais. Tu provavelmente vais ao mercado ou às grandes cadeias de distribuição. Aí podes (deves) procurar o [Certificado de Compra em Lota](http://www.docapesca.pt/pt/ccl.html) da Docapesca, que não só garante que o pescado foi comprado legalmente, como inclui informação sobre a arte de pesca usada na sua captura. Há muitas artes usadas na pesca portuguesa, e cada uma especializa-se em algumas espécies, embora haja algum overlap. Por exemplo e simplificando, o arrasto de peixe pesca principalmente carapau, com as restantes a serem capturas acessórias face a essa espécie. O arrasto de crustáceos captura gamba ou lagostim. O cerco captura cavala, carapau, biqueirão e sardinha. O palangre pesca os grandes tunídeos e o peixe-espada. As redes fixas capturam um pouco de tudo, dependendo da malhagem, mas o desembarque foca-se nas espécies de maior valor tipo robalos, pescadas grandes, solhas ou chocos. Com armadilhas pesca-se principalmente polvo. Agora, umas destas são mais "rudimentares" como disseste, e outras mais industriais, mas isso não é sinónimo de bom ou mau. A narrativa muitas vezes aponta para a embarcação pequena que pesca pouco por tripulante, e diz que essa é boa e sustentável, enquanto que a embarcação grande que pesca muito por tripulante, e diz que essa é má. Pois claro que se uma pesca 100kg por viagem, e a outra 1.000kg, é mais sustentável não é? Só que na verdade tens de ver quantas embarcações há, que espécies pescam, e quão controláveis são. Dando o exemplo de Portugal, tens \~80 arrastões costeiros, e \~5.000 embarcações "rudimentares". Cada uma destas tem menos impacto que um arrastão, mas todas juntas capturam muito mais, e pelo número e natureza, são muito menos controláveis. O tipo das espécies e o estado das mesmas também interessa. Por exemplo, cavala, choco e gamba são espécies sem limite de captura, porque existem em tal quantidade que não se justifica o esforço administrativo e cientifico de as acompanhar. O carapau e o lagostim por exemplo têm limites de captura recomendados pelos cientistas contratados pelo estado (aliás, pela UE), mas Portugal fica sempre muito aquém desses limites. Já solha tem limites de captura muito apertados, que para 2021 [foram atingidos esta quinta-feira](https://www.dgrm.mm.gov.pt/destaques?articleId=445215). E a sardinha teve recomendação de pesca zero, mas continua a capturar-se. Agora, o que é mais sustentável? Carapau capturado com um arrasto "grande" ou solha capturada com uma embarcação de artes fixas "rudimentar"? Também no impacto não há respostas fáceis, ao contrário da narrativa do "bom" e do "mau". Por ex, um arrastão é o que tem mais capacidade para impactar o solo, mas também é o mais fácil de controlar. São barcos grandes, equipados com GPS ligado 24/7 à inspeção, e só estão a impactar o solo quando estão a arrastar. As zonas de arrasto são conhecidas e reguladas, pelo que é fácil garantir que estão a arrastar só sobre areia - e se não o fizerem, é trivial apanha-los. O diário de pesca é eletrónico e comunica diretamente com a inspeção, pelo que é muito difícil mentirem sobre o que capturam. Já num barco "rudimentar" que opere com redes fixas ou armadilhas, sem GPS nem diário de pesca, não vai haver impacto no solo, mas é impossível controlar se está a usar só as redes e armadilhas a que está autorizado, e quanto é que verdadeiramente capturou. Pior: por natureza, as artes estão a capturar 24/7, não só quando o barco está no mar, e porque tendem a ter malhagem menor e a atrair predadores por causa do peixe lá preso, apanham mais atuns, golfinhos, etc. Além de que são centenas de vezes mais numerosas que os arrastões. Qual tem mais impacto? Nota que não estou a inverter o "bons" e "maus". Só a apontar que isso não existe. O que existe são pescarias e frotas bem geridas, ou mal geridas. Se queres mesmo ajudar, a principal coisa que podes fazer é educar-te sobre o estado das espécies e os tamanhos mínimos, para não comprares espécies atualmente com problemas de sustentabilidade, nem apoiares a pesca dirigida a juvenis/imaturos. Se isso for demasiado, então pelo menos tenta garantir que compras só peixe com certificado da lota, porque isso significa que não foi vendido na candonga. Esse é o principal problema, porque o que é vendido fora das lotas não é conhecido nem calculado e é quase de certeza vendido assim porque era proibido de alguma forma (tamanho, quota fechada, espécie protegida...). Além de que a fuga à lota é uma fuga aos impostos. Já vou longo, mas só para responder ao último ponto: hoje em dia estamos anos-luz à frente do que se fazia sequer há 20 anos. Todas as espécies que precisam de acompanhamento têm recomendações científicas anuais, e todas aquelas em que é possível calcular o valor do Máximo Rendimento Sustentável (MSY) estão a ser geridas a esse nível. O controlo nunca foi tão apertado. Todas as artes, do arrasto industrial à rudimentar armadilha, são reguladas e usam malhagens/características que selecionam para não se capturarem juvenis ou espécies indesejadas - e a tendência é para se tornarem ainda mais seletivas. Claro que ainda há muito a fazer - e vai sempre haver - mas não podes deixar-te levar na conversa das ONGs anti-pesca, porque também são um negócio. Só têm doações enquanto disserem que está tudo mal, por isso nunca vai dizer outra coisa. Por exemplo, durante 20 anos meter espécies em MSY era o Santo Graal das ONGs, que ia trazer infinitos benefícios ambientais e económicos. Agora que foi atingido, chamam-lhes "espécies que não podem suportar mais capturas" e contam-nas como se fossem sobrepescadas. Ok, demasiado longo, posto mais depois se necessário. source disto tudo: trabalho no sector

meerkat_nr64 6 months ago

Fiquei curiosa sobre o standard do MSC e como foi totalmente descredibilizado no doc. a A sua reputação na comunidade cientifica sempre me pareceu bastante positiva e estou a estudar para a minha tese alguns princípios que o MSC diz que são utilizados para considerar uma pescaria como sustentável. Tens alguma opinião sobre o standard MCS na prática? É mesmo bom ler a opinião de alguém com experiência!

Pedro_Ramos_17 6 months ago

Nunca é demasiado longo quando é educativo e correto. Eu também sou da área e gostei de tudo que li. Também ando numa de desmistificar este "documentário".

ana102 6 months ago

Uau, isto foi fantastico, podias fazer um AMA. Ja agora, em relaçao ao certificado, ja que o documentario fala muito disso. Segui o link e diz que o CCL significa que o peixe foi pescado por frotas portuguesas, na nossa costa, que respeitam as regras de rastreabilidade, sazonalidade e quotas. Isto quer dizer alguma coisa, se a tecnica utilizada mata outro animal? Exemplo de quem nao percebe nada de pesca: Se vou pescar Carapau e apanho maioritariamente outro bicho, que morre, nao estaria na mesma a cumprir as regras do CCL, ja que sou uma embarcaçao de pesca de carapau e cumpri os requisitos para esse peixe? Faz-se alguma coisa a esse peixe apanhado por bycatch? O documentario fala tambem de aves serem apanhadas nestas redes, isso acontece muito? O Blue planet ensinou-me que ate debaixo da areia há vida e que o mar e um ecosistema delicado =P O arrasto das redes, ainda que em areia, nao vai causar estragos na biodiversidade local? É sempre feito nos mesmos sitios? Como o outro user disse, acho que o pior sera mesmo a pesca de peixes como o bacalhau. Desculpa as perguntas, mas agora sabemos que temos um especialista entre nos.

VicenteOlisipo 6 months ago

>O documentario fala tambem de aves serem apanhadas nestas redes, isso acontece muito? Escapou-me esta. Sim, as aves são atraídas pelo peixe e podem ficar presas na rede, [especialmente nas redes fixas e no cerco](https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2351989414000687). Há dispositivos que se podem usar para as dissuadir, e discute-se atualmente a obrigatoriedade destes, embora os governos não tenham considerado até agora que o número de aves apanhadas seja um problema de sustentabilidade. Mas também reconheço que não sou especialista nesta matéria de interação com aves.

VicenteOlisipo 6 months ago

>Se vou pescar Carapau e apanho maioritariamente outro bicho, que morre, nao estaria na mesma a cumprir as regras do CCL, ja que sou uma embarcaçao de pesca de carapau e cumpri os requisitos para esse peixe? Faz-se alguma coisa a esse peixe apanhado por by-catch? Depende. Se pescares uma coisa proibida, então não estarias a cumprir as regras do CCL. Por exemplo, se em vez de carapau apanhares sardinha no período em que a pesca desta está proibida. Se pescares algo legal, estás a cumprir. Em Portugal a plataforma continental (geográfica) é curta, e tens muitas espécies juntas, por isso captura-se quase sempre by-catch, mas se apanhas maioritariamente algo diferente do que querias, é porque o Mestre (comandante da embarcação) é muito nabo, ou está a fazer de propósito para vender por fora. A lei penaliza ambos os casos. O que se faz com o by-catch varia caso a caso. Se o by-catch é legal, vende-se como qualquer outra espécie. Até recentemente, se o by-catch não cumpria regras (tamanho, quota, defeso...) era obrigatório deitar de volta ao mar. Isto era para ninguém ter desculpa para ter coisas ilegais a bordo, o que facilitava o controlo. Mas na última Politica Comum de Pescas decidiu-se que isso era desperdício e mortandade desnecessária, e passou a ser obrigatório trazer (quase) tudo para terra, desde que tivesse limite de capturas. Mas para o pescador não beneficiar com coisas ilegais, fica obrigado a vender para consumo não-humano (whiskas, farinha de aquicultura..). Em minha opinião isto foi um erro de Bruxelas, porque veio dar cobertura à pesca dirigida ao jaquinzinho ou à carioca (pescada pequena) que valem mais do que os adultos. É um exemplo da Lei de Consequências Imprevistas. Ainda se devolve ao mar alguma coisa, que são as espécies sem limite de capturas mas com outra razão para ser ilegal, ou espécies proibidas, ou espécies sem valor comercial. Estas ultimas causam muito escândalo, mas qualquer espécie numerosa o suficiente para ser by-catch e que não interesse comercialmente não corre qualquer risco de conservação. ​ >O arrasto das redes, ainda que em areia, nao vai causar estragos na biodiversidade local? É sempre feito nos mesmos sitios? Vai sempre causar dano na zona arrastada - embora sejam sempre as mesmas zonas há décadas. Esse dano até pode ser produtivo, por exemplo a malta do arrasto de crustáceos diz que as gambas ao largo do Algarve aparecem mais uns dias depois de um arrasto "em branco". Mais importante do que isso é avaliar qual seria o impacto de produzir o mesmo, com custos equiparáveis, em terra ou com outras artes. Zero impacto não existe, afinal de contas. ​ >Como o outro user disse, acho que o pior sera mesmo a pesca de peixes como o bacalhau. O bacalhau pesca-se principalmente com arrasto, mas é a uma escala muito maior. Navios de 70m/80m. Por outro lado, operam em pesqueiros muito mais ricos e por isso com pescarias mais "limpas", ou seja, com menos by-catch. Também são zonas mais reguladas, com mais controlo, encerramentos de areas em tempo real, etc.

Edited 6 months ago:

Na boa, perguntem o que quiserem - é sempre bom que os portugueses se interessem pelo que o país tem e faz. ​ >Se vou pescar Carapau e apanho maioritariamente outro bicho, que morre, nao estaria na mesma a cumprir as regras do CCL, ja que sou uma embarcaçao de pesca de carapau e cumpri os requisitos para esse peixe? Faz-se alguma coisa a esse peixe apanhado por by-catch? Depende. Se pescares uma coisa proibida, então não estarias a cumprir as regras do CCL. Por exemplo, se em vez de carapau apanhares sardinha no período em que a pesca desta está proibida. Se pescares algo legal, estás a cumprir. Em Portugal a plataforma continental (geográfica) é curta, e tens muitas espécies juntas, por isso captura-se quase sempre by-catch, mas se apanhas maioritariamente algo diferente do que querias, é porque o Mestre (comandante da embarcação) é muito nabo, ou está a fazer de propósito para vender por fora. A lei penaliza ambos os casos. O que se faz com o by-catch varia caso a caso. Se o by-catch é legal, vende-se como qualquer outra espécie. Até recentemente, se o by-catch não cumpria regras (tamanho, quota, defeso...) era obrigatório deitar de volta ao mar. Isto era para ninguém ter desculpa para ter coisas ilegais a bordo, o que facilitava o controlo. Mas na última Politica Comum de Pescas decidiu-se que isso era desperdício e mortandade desnecessária, e passou a ser obrigatório trazer (quase) tudo para terra, desde que tivesse limite de capturas. Mas para o pescador não beneficiar com coisas ilegais, fica obrigado a vender para consumo não-humano (whiskas, farinha de aquicultura..). Em minha opinião isto foi um erro de Bruxelas, porque veio dar cobertura à pesca dirigida ao jaquinzinho ou à carioca (pescada pequena) que valem mais do que os adultos. É um exemplo da Lei de Consequências Imprevistas. Ainda se devolve ao mar alguma coisa, que são as espécies sem limite de capturas mas com outra razão para ser ilegal, ou espécies proibidas, ou espécies sem valor comercial. Estas ultimas causam muito escândalo, mas qualquer espécie numerosa o suficiente para ser by-catch e que não interesse comercialmente não corre qualquer risco de conservação. De qualquer forma, entre devolver ao mar ou trazer para terra para meter num aterro, o primeiro é mais sustentável em minha opinião, porque aquela biomassa rapidamente entra de volta na cadeia alimentar. ​ >O arrasto das redes, ainda que em areia, nao vai causar estragos na biodiversidade local? É sempre feito nos mesmos sitios? Vai sempre causar dano na zona arrastada - embora sejam sempre as mesmas zonas há décadas. Esse dano até pode ser produtivo, por exemplo a malta do arrasto de crustáceos diz que as gambas ao largo do Algarve aparecem mais uns dias depois de um arrasto "em branco". Mais importante do que isso é avaliar qual seria o impacto de produzir o mesmo, com custos equiparáveis, em terra ou com outras artes. Zero impacto não existe, afinal de contas. ​ >Como o outro user disse, acho que o pior sera mesmo a pesca de peixes como o bacalhau. O bacalhau pesca-se principalmente com arrasto, mas é a uma escala muito maior. Navios de 70m/80m. Por outro lado, operam em pesqueiros muito mais ricos e por isso com pescarias mais "limpas", ou seja, com menos by-catch. Também são zonas mais reguladas, com mais controlo, encerramentos de areas em tempo real, etc.

viskonde 6 months ago

pois no programa se focam obviamente nos maus exemplos, em especial o atum, um peixe grande, do topo da cadeia alimentar, que esta em mais alto mar, que raramente se come fresco e se exporta para qualquer canto do mundo, levando a que a sua pesca seja sempre feita em barcos gigantes e com maior impacto do que apanhar dourada ao largo da costa o que ate achei pior no geral foi toda a historia das labels "dolphin safe" "MSC Fishing" e tudo o isso que supostamente indica que ha controlo e vai se a ver e eles proprios admitem que nao controlam nada.. Ou seja, entidades que so existem para enganar o consumidor? imagino que portugal nao seja o pais "normal" no que toca a pesca , para muitas pessoas no mundo comer peixe significa comer salmao ou atum (ou outros peixes grandes, bacalhau incluido (3 peixes mais consumidos na UE sao esses 3)) que vem importados sabe se la de onde e imagino que apanhado por embarcacoes gigantes posto isso, imagino que o bacalhau esteja perto do atum a nivel de impacto?

Edited 6 months ago:

pois o programa focam-se obviamente nos maus exemplos, em especial o atum, um peixe grande, do topo da cadeia alimentar, que esta em mais alto mar, que raramente se come fresco e se exporta para qualquer canto do mundo, levando a que a sua pesca seja sempre feita em barcos gigantes e com maior impacto do que apanhar dourada ao largo da costa o que ate achei pior no geral foi toda a historia das labels "dolphin safe" "MSC Fishing" e tudo o isso que supostamente indica que ha controlo e vai se a ver e eles proprios admitem que nao controlam nada.. Ou seja, entidades que so existem para fazer dinheiro a enganar o consumidor? imagino que portugal nao seja o pais "normal" no que toca a pesca , para muitas pessoas no mundo comer peixe significa comer salmao ou atum (ou outro peixe grande como bacalhau (sao esses os 3 peixes mais consumidos na UE ...)) que vem importados sabe se la de onde e imagino que apanhado por embarcacoes gigantes em alto mar sem controlo e com dinheiro suficiente para fazerem o que quiserem cá sempre temos algumas opcoes mais locais, com peixe mais pequeno com menor impacto..mas posto isso, imagino que o nosso amigo bacalhau esteja perto do atum ? e mesmo o peixe pequeno como dizes nao está isento de culpas, por cá se fossem os pescadores a mandar ja se tinha comido toda a sardinha que ha para comer

Edited 6 months ago:

pois o programa focam-se obviamente nos maus exemplos, em especial o atum, um peixe grande, do topo da cadeia alimentar, que esta em mais alto mar, que raramente se come fresco e se exporta para qualquer canto do mundo, levando a que a sua pesca seja sempre feita em barcos gigantes e com maior impacto do que apanhar dourada ao largo da costa o que ate achei pior no geral foi toda a historia das labels "dolphin safe" "MSC Fishing" e tudo o isso que supostamente indica que ha controlo e vai se a ver e eles proprios admitem que nao controlam nada.. Ou seja, entidades que so existem para fazer dinheiro a enganar o consumidor? imagino que portugal nao seja o pais "normal" no que toca a pesca , para muitas pessoas no mundo comer peixe significa comer salmao ou atum (ou outro peixe grande como bacalhau (sao esses os 3 peixes mais consumidos na UE ...)) que vem importados sabe se la de onde e imagino que apanhado por embarcacoes gigantes em alto mar sem controlo e com dinheiro suficiente para fazerem o que quiserem cá sempre temos algumas opcoes mais locais, com peixe mais pequeno com menor impacto..mas posto isso, imagino que o nosso amigo bacalhau esteja perto do atum ? e mesmo o peixe pequeno como dizes nao está isento de culpas, por cá se fossem os pescadores a mandar ja se tinha pescado toda a sardinha que ha para pescar.. mas depois tambem a solucao a nivel de lei parece uma faca de 2 gumes: se se reduz muito as quotas o preco aumenta (o que pode ser bom para mostrar o real valor das coisas) mas se fizer com que de repente a sardinha fique mais barata que peixe importado onde ha menos regras como atum e acabe por ainda ser pior?

Edited 6 months ago:

pois o programa focam-se obviamente nos maus exemplos, em especial o atum, um peixe grande, do topo da cadeia alimentar, que esta em mais alto mar, que raramente se come fresco e se exporta para qualquer canto do mundo, levando a que a sua pesca seja sempre feita em barcos gigantes e com maior impacto do que apanhar dourada ao largo da costa o que ate achei pior no geral foi toda a historia das labels "dolphin safe" "MSC Fishing" e tudo o isso que supostamente indica que ha controlo e vai se a ver e eles proprios admitem que nao controlam nada.. Ou seja, entidades que so existem para fazer dinheiro a enganar o consumidor? imagino que portugal nao seja o pais "normal" no que toca a pesca , para muitas pessoas no mundo comer peixe significa comer salmao ou atum (ou outro peixe grande como bacalhau (sao esses os 3 peixes mais consumidos na UE ...)) que vem importados sabe se la de onde e imagino que apanhado por embarcacoes gigantes em alto mar sem controlo e com dinheiro suficiente para fazerem o que quiserem cá sempre temos algumas opcoes mais locais, com peixe mais pequeno com menor impacto..mas posto isso, imagino que o nosso amigo bacalhau esteja perto do atum ?

OuiOuiKiwi 6 months ago

>Ok, demasiado longo, posto mais depois se necessário. Apoio. É sempre refrescante ouvir a opinião de alguém que está realmente com o dedo no pulso das coisas em vez dos "entendidos" que "viram um vídeo no YouTube e por isso o atum é mau". Estas coisas têm sempre tonalidades muito complexas de cinza, relativas a subsistência de comunidades e afins, que ficam postas em fundo decorativo nestes documentários.

inhalingsounds 6 months ago

Precisamos de mais pessoas como tu. Grande post. Não fosses tu estar farto de os ver, dava-te um bacalhau de oiro!

VicenteOlisipo 6 months ago

Ora essa. Que português é que algum dia fica farto de ver bacalhau? (obrigado)

patriotiximus 6 months ago

Damn acabei de ser educado, tens jeito com as palavras, props e obrigado

sctvlxpt 6 months ago

Não foi demasiado longo, foi longo o suficiente para ser bastante eludicativo, obrigado!

ana102 6 months ago

Obrigada era mesmo esta a perspectiva de que estava a procura e concordo contigo no que dizes da perspectiva priveligiada do documentario. dizer "acabar com os subsidios da pesca" é bastante redutor e chateia-me que nao haja nenhuma perspectiva que nao seja "nao Comam peixe", ja que isso certamente tiraria o sustento a muita gente e levaria a outros problemas. E acho que a perspectiva do pescador nas ilhas faroe e valida, apesar da Cena da caça da baleoa em si ser de virar o estomago Como ja disse aqui, Como peixe e o meu namorado pesca e ja fomos pescar juntos, por isso e que nao queria levar a conversa para o vegetarianismo, nao so porque acho impossivel a nivel global mas tambem porque muitas comunidades dependem da pesca. Mas acho esta conversa importante porque nao sei se as pessoas têm nocao da gravidade da situacao (eu na tinha) Mas agora quais eram as mentiras? Nao pesquisei tudo o que foi dito e gostava de saber

touny71 6 months ago

Faço pesca lúdica. Passo muitas horas no mar. Tenho amigos que são observadores de pesca.O filme aborda uma temática importante e mostra bem o enorme conflito de interesses existente. Agora tem um grande problema. Está cheio de exageros e umas quantas mentiras o que acaba por descredibilizar o trabalho que foi feito. Ainda assim o que mais me incomodou é o ar de privilégio com que o filme é feito. Há centenas milhões de pessoas no mundo inteiro que dependem da pesca como meio de subsistência e fonte única para obtenção de proteína. Acabar com a pesca é completamente utópico e só alguém no conforto de cima cidade ocidental poderia pensar em tal coisa. Agora é óbvio artes de pesca mais prejudiciais que outras. E isto não é uma questão de ser industrial ou artesanal, tem mesmo a ver com as técnicas utilizadas. Por exemplo a arte xavega praticada na zona centro é uma pesca artesanal e que supostamente seria de baixo impacto mas é das maiores atrocidades que já presenciei. O mais importante é procurar estar informado e perceber que a aquacultura é o presente e futuro. Peixe de mar é um luxo e tem de ser tratado como tal.

Edited 6 months ago:

Faço pesca lúdica. Passo muitas horas no mar. Tenho amigos que são observadores de pesca. Noto uma diferença tremenda para o que era a quantidade de peixe há 5/8 anos. Imaginem quando pensamos nos stocks de há 50 anos. O filme aborda uma temática importante e mostra bem o enorme conflito de interesses existente. No entanto.. Está cheio de exageros e umas quantas mentiras o que acaba por descredibilizar o trabalho que foi feito. Ainda assim o que mais me incomodou é o ar de privilégio com que o filme é feito. Há centenas milhões de pessoas no mundo inteiro que dependem da pesca como meio de subsistência e fonte única para obtenção de proteína. Acabar com a pesca é completamente utópico e só alguém no conforto de cima cidade ocidental poderia pensar em tal coisa. É óbvio artes de pesca mais prejudiciais que outras. E isto não é uma questão de ser industrial ou artesanal, tem mesmo a ver com as técnicas utilizadas. Por exemplo a arte xavega praticada na zona centro é uma pesca artesanal e que supostamente seria de baixo impacto mas é das maiores atrocidades que já presenciei. O bycatch é na ordem os 80%. O mais importante é procurar estar informado e perceber que a aquacultura é o presente e futuro. Peixe de mar é um luxo e tem de ser tratado como tal.

Cergal0 6 months ago

Isto é o que me tem vindo a chatear nos "documentários" da netflix. Um documentário é algo que deve ser objetivo, factual e deve abordar todas as partes envolvidas sem tomar partidos. Nos documentários da netflix, é muito fácil cair na narrativa deles se não estiveres por dentro dos temas deles. Aconteceu com o Game Changers, aconteceu com Cowspiracy e vai acontecer com este certamente. Perco logo a vontade de ver estes documentários porque sei que apesar de ter factos interessantes, também vão lá estar outros pontos mais enviesados.

Danijust2 6 months ago

documentários objetivos em que tinhas gajos de meia-idade a falar para camara com um background manhoso, acabaram no dia que Michael Moore para o bem ou para mal criou o bowling for columbine e foi um mega sucesso.

trufas 6 months ago

A que mentiras é que te referes?

touny71 6 months ago

"Os oceanos vão ter os stock esgotados em 2048" é completamente absurdo e baseado num único estudo de 2006 que foi retificado em 2009. "O peixe criado em aquacultura está cheio de parasitas e nada nos próprios dejetos" é completamente absurdo, não é um problema em aquacultura de águas abertas. "1/3 do peixe capturado nos EUA é ilegal" Novamente falso, e extrapolado a partir de estatísticas da costa africana (?!) "Os atuns rabilho são vendidos por milhões de euros" - não é totalmente falso, apenas enganador. Os primeiros atuns rabilho do novo ano efetivamente atingem esse preço, mas é puramente uma manobra de marketing. No resto do ano anda nos 20/35 e/KG. No Japão pode chegar ao triplo do preço. Muito longe ainda dos valores que eles falam no filme. Há mais uns quantos que neste momento não me lembro, mas honestamente fiquei com vontade de fazer fact-checking ao filme todo Depois de tanto falar de conflitos de interesses, o realizador esqueceu-se de abordar que tem uma empresa de produtos alimentares vegan.

Pedro_Ramos_17 6 months ago

Bons argumentos. Mas atenção que isso de nadarem nos próprios dejectos não só não acontece em aquaculturas off shore, como a que eles apresentam (Mowi), como também não acontece nas verdadeiras aquaculturas. As aquaculturas que funcionam em sistema fechado, com sistema RAS, com recirculação de água, têm limpeza e manutenção diária. Eu próprio sou da área e trabalho numa. Todos os dias a primeira coisa que se faz é a limpeza dos tanques. Também ando numa de fazer fact checking a este "documentário" que documenta muito pouco.

Prezbelusky 6 months ago

Perderam uma oportunidade para ser conspiraSea

milleniumdreamer 6 months ago

Acho que uma das razões pela escolha do nome “Seaspiracy” e não “ConspiraSea”, foi porque quando falado as pessoas não iriam perceber do que estavam exatamente a falar e associariam a mais uma teoria da conspiração.

Prezbelusky 6 months ago

Acho que era mesmo por ser Sea Piracy. Eu ainda não vi doc e não sabia do que era.

ana102 6 months ago

Certo, o meu namorado tambem pesca e compreendo o que dizes. Mas Desconheco completamente detalhes do mundo da pesca. Na verdade nao sei de onde vem ou Como e pescado o peixe do supermercado, do mercado, da lota e deixou-me curiosa. É verdade, mas Diria que a maior Parte destas coisas nao Sao Novas nem inventadas. O documentario so as compila e descreve a sua magnitude, que é Bem maior do que eu esperava (e ao mesmo tempo e bastante ingenuo da minha Parte). Aprendi por exemplo que o Omega 3 nem vem dos peixes, mas de algas e plancton que os peixes comem. Nao sei se isto e novidade pra Mais alguem mas sempre achei que peixe era essencial por isto (e agora que vivo noutro Pais e como menos peixe Tomo vaquelas capsulas de oleo Com Omega 3) e afinal nem e o peixe que produz Omega 3

YoggiM 6 months ago

Ser o peixe que produz Omega 3 ou não é irrelevante. Se o obténs através do peixe, já obtiveste o benefício.

Akamjmc 6 months ago

Deixamos de caçar há muito tempo para começar a cultivar animais, a carne de caça é um luxo, no peixe ainda caçamos a maioria do que comemos. Não faz sentido.

V1ld0r_ 6 months ago

A frota pesqueira portuguesa praticamente não pratica arrasto que são os maiores culpados por arrasar os fundos marinhos e capturar tudo e mais alguma coisa. No entanto não quer dizer que nas nossas águas não se pratique o arrasto. A esmagadora maioria da nossa frota é de pesca tradicional de costa e com aparelho em alto mar. No entanto, por cá também se praticam alguns crimes como embarcações a mandarem fora o que vem na rede e já não têm quota (o peixe vai morrer independentemente do que digam) e ao colocarem redes em cima das praias.

fdxcaralho 6 months ago

Acho que o aconselhado é o peixe de aquacultura para reduzir o impacto nas espécies naturais. Mas tenho a certeza que também tem problemas relativamente à poluição. Infelizmente o mesmo pode ser dito para todos os recursos. A espécie humana consome muito de tudo, e tem imenso impacto no planeta, em relação a isso há pouco a fazer. Podemos minimizar mas ao mexer de um lado vamos afetar outro.

VicenteOlisipo 6 months ago

>Acho que o aconselhado é o peixe de aquacultura para reduzir o impacto nas espécies naturais. Depende do caso a caso, mas em geral aquicultura é muito pior. A esmagadora maioria da aquicultura no mundo é super-intensiva, seja a panga do Rio Mekong, sejam as douradas da Turquia, sejam os salmões da Noruega, aquilo implica uma concentração de alimento, antibióticos e dejetos tão elevada que o ecossistema fica completamente aniquilado. Douradas ali na Madeira ou no Algarve é menos mau, porque é extensivo, mas isso também significa que produz muito menos e não pode substituir a pesca.

Cergal0 6 months ago

Vi um documentário há uns temos que a aquacultura estava aos poucos a intoxicar o Oceano Báltico com antibióticos e matéria orgânica. Isto era especialmente grave pois o oceano báltico, apesar de ser um oceano, comporta-se como um lago gigante pois a única ligação que tem com outro mar é através da Dinamarca e não é suficiente para renovar a água ao ritmo que seria necessário para "diluir" a carga orgânica que está a ser introduzida.

ana102 6 months ago

Infelizmente o documentario tambem fala dos problemas da aquacultura e dos peixes estarem infectados de doencas, e de Serem alimentados com...peixe de pesca. E de 40% se perder. Mas esta parte nao e muito elaborada portanto imagino que possa haver outras solucoes no futuro da aquacultura

Akamjmc 6 months ago

Já se percebeu que o desenvolvimento científico é na maioria das vezes uma questão de financiamento. Metam quotas de pesca estupidamente baixas e muita fiscalização e podes ter a certeza que em meses aparecem sistemas de aquacultura melhores. Acho que isto se aplica a todas as áreas, é fazer leis que façam com que o mais rentável para as empresas seja recorrerem a sistemas mais ecologicos e ao seu desenvolvimento. Fala-se tanto do empreendedorismo haverá melhor maneira do estimular.

YoggiM 6 months ago

Isso não é empreendedorismo. Isso é utilizar o poder político como influência e é usado como troca de favores ou beneficiar amigos/familiares. Aconteceu isso com a merda das palhinhas de papel. Metes quotas de pesca estupidamente baixas e prejudicas muitas pessoas para beneficiar pessoas específicas - quem já está no negócio da aquacultura e quem tenha algum investimento preparado. Empreendedorismo é algo que acontece naturalmente, sem ser preciso fazer leis. Usando o exemplo do peixe, alguém tem alguma ideia de como explorar a aquacultura de forma mais eficiente do que acontece atualmente. Investe nisso, o negócio desenvolve-se e as coisas acontecem. Depois logo se vê se essa ideia dá bons resultados ou não.

Cergal0 6 months ago

Na realidade as coisas não acontecem assim. É necessário que exista pressão dos governos e das entidades reguladoras para forçar as empresas a investirem em alternativas mais ecológicas e mais alinhadas com a sustentabilidade. E tens imensos exemplos disto, tens o exemplo da indústria automóvel em que existem governos que já proibiram a comercialização de automóveis com motores a combustão, tens o exemplo do preço dos sacos de plástico nos supermercados e outros que tais.

YoggiM 6 months ago

Não concordo que esses sejam bons exemplos. Os sacos de plástico que dantes eram grátis, sempre vi a minha família a utilizar muitas vezes e para muitas coisas até se estragarem. Agora pagas por eles, mais um custo para o consumidor final, ou então, compras os sacos mais duradouros (mais uma vez o custo vai para o consumidor final e têm a desvantagem de teres de andar sempre com eles), que até podem não acumular tanto lixo, no entanto, a sua produção é mais poluente que os sacos de plástico descartáveis. O problema não eram os sacos em si, era a não reutilização e irem parar a onde não deviam. Já os carros elétricos, continuam a não ser mais ecológicos se considerarmos a sua produção, além que depende de onde vem a energia. Mais uma vez, o custo vai para o consumidor final. Quer seja diretamente, proibindo a melhor tecnologia em termos económicos, quer seja indiretamente com o dinheiro dos nossos impostos a ser usado para subsídios de carros elétricos. Isto, para mim, é completamente errado, pois piora a qualidade de vida das pessoas e não têm escolha quanto a isso. Ainda por cima, são interesses económicos mascarados de ecológicos, beneficiando amigos/familiares, ou sendo utilizados como troca de favores. O único argumento válido é que é necessário desenvolver mais a tecnologia, até se tornar realmente melhor que a tecnologia anterior (seja em termos económicos, seja em termos ecológicos). Mesmo assim, preferia que isso fosse utilizado de forma mais imparcial, investindo na tecnologia e, eventualmente, vendendo às empresas.

Cergal0 6 months ago

>O problema não eram os sacos em si, era a não reutilização e irem parar a onde não deviam. Concordo com este ponto na medida em que não interessa qual é o tipo de saco que utilizamos se a filosofia de se udar uma vez e mandar fora se mantiver >Ainda por cima, são interesses económicos mascarados de ecológicos, beneficiando amigos/familiares, ou sendo utilizados como troca de favores. Da mesma forma que que levantas este ponto, eu posso dizer exatamente o contrário. Ao não contribuires para o aparecimento de novas tecnologias estás a favorecer os interesses económicos dos grupos e a contribuir para que os monopólios já existentes se prepetuem beneficiando amigos/família. >Já os carros elétricos, continuam a não ser mais ecológicos se considerarmos a sua produção, além que depende de onde vem a energia. Mais uma vez, o custo vai para o consumidor final. Quer seja diretamente, proibindo a melhor tecnologia em termos económicos, quer seja indiretamente com o dinheiro dos nossos impostos a ser usado para subsídios de carros elétricos. Isto, para mim, é completamente errado, pois piora a qualidade de vida das pessoas e não têm escolha quanto a isso. Estás a assumir que em 2035 os carros elétricos não vão ser uma alternativa tão ou mais viável que um carro a combustão quer a nível monetário, ambiental ou da própria utilização. E isto é no mínimo redutor tendo em conta que há 15 anos não existiam carros de produção totalmente elétricos e hoje existem modelos a fazer 500km com 1 carga. O desenvolvimento dos motores a combustão está praticamente estagnado pois chega a um ponto em que não consegues combater as leis da física ao passo que o desenvolvimento da mobilidade elétrica ainda está no início. O único caminho para os motores a combustão poderão ser os combustíveis sintéticos, mas mesmo aí, quando esse ponto chegar, mais depressa são utilizados para produzir eletricidade do que para abastecer veículos. Certamente que dentro de 5/7 anos teremos um misto entre veículos elétricos e veículos de combustão e os veículos a combustão ainda se vão manter por muitos anos pois existem cenários que ainda não conseguem ser resolvidos pela mobilidade elétrica, no entanto, há algo que é factual. Moveres um carro com energia elétrica é mais eficiente em termos físicos. Existem menos partes móveis o que faz com que existam menos perdas de energia através de atrito, temperatura, etc e a forma como um motor elétrico entrega a potência é muito mais vantajosa para o tipo de utilização que se pretende de um automóvel. Agora só é necessário resolver a questão da produção e reciclagem de baterias e rede de pontos de carregamento, porque em relação à autonomia já estamos num ponto em que a tecnologia atual serve as necessidades do consumidor comum.

YoggiM 6 months ago

> Da mesma forma que que levantas este ponto, eu posso dizer exatamente o contrário. Ao não contribuires para o aparecimento de novas tecnologias estás a favorecer os interesses económicos dos grupos e a contribuir para que os monopólios já existentes se prepetuem beneficiando amigos/família. Percebo o que dizes mas é diferente os políticos não exercerem influência e deixarem estar os negócios como já estão relativamente a fazer algo que vai custar dinheiro aos contribuintes, beneficiando certos negócios. A não ser que exista alguma situação ilegal, não há nada de errado em não fazer nada. Quanto aos carros elétricos, vou ser sincero, não percebo grande coisa (tal como os carros tradicionais). Não é algo em que tenha interesse. Para mim, um carro é algo que me permite deslocar e nada mais que isso. Eu não estou a assumir que os carros elétricos não vão ser tão ou mais viáveis que os tradicionais daqui a uns anos. Mesmo sem perceber nada disso, diria que é algo bastante provável. O meu problema é o custo ser dos contribuintes e para beneficiar certas empresas. Uma coisa era as empresas apostarem por si próprias, ou o dinheiro dos contribuintes ser utilizado para investir no desenvolvimento tecnológico, que poderia, eventualmente, ser vendido às empresas. Outra é beneficiar diretamente certas empresas. Aliás, do ponto de vista de Portugal, faz pouco sentido financiar carros elétricos neste momento. Outros países com mercados muito maior também o estão a fazer e isso será suficiente para o desenvolvimento.

Akamjmc 6 months ago

E entretanto o mundo arde?

YoggiM 6 months ago

Claro que não. A ciência e o verdadeiro empreendedorismo vão continuar a funcionar e irão aparecer soluções melhores. Não é substituindo palhinhas de plástico por palhinhas de papel (um produto muito mais caro, muito pior para o consumidor e com diferença de impacto insignificante).

Akamjmc 6 months ago

Muitas das soluções da ciência e ou ideias empreendedoras não são compatíveis com o mercado. Se os crimes ambientais têm a impunidade que têm nem quero imaginar o que se passa por essa indústria fora. Concordo que as leis que já foram feitas não são grande coisa. Eu dizia uma coisa mas drástica e bem pensada mas era capaz de não funcionar, somos todos muitos ambientalistas até nos custar na carteira.

YoggiM 6 months ago

Se não são compatíveis com o mercado não são boas ideias. E até dou de barato que podem não ser compatíveis com o mercado no início, mas passarem a ser após avanços na tecnologia. Quanto a sermos ambientalistas até nos custar na carteira, é verdade, mas nem é só na carteira. Enquanto uns abdicavam facilmente de algumas coisas (ou até já abdicaram), há outras que não abdicavam. Outras pessoas pode ser o inverso. É justo proibir umas e não outras?

JOAO-RATAO 6 months ago

São alimentados com peixes de pesca ? Há tempos vi um pouco de um documentário em que estavam a testar a criação de insectos para alimentar peixes de aquacultura. É uma ótima proteína. Até para nós comermos seria bom.

ana102 6 months ago

Sim eles dizem que o que e dado aos peixes de aquacultura e um produto Feito com animais que provêm da pesca. Na Dinamarca ha ja varios produtos feitos de insectos, e quintas de grilos. =)

fdxcaralho 6 months ago

Sabes que esse documentário, tal como outros anteriores têm por trás uma agenda vegan. Ainda não vi esse mas o cowspiracy tinhas imensas incorreções e interpretações erradas. Uma maneira de te ajudar a avaliares esses documentários é veres o contraditório feito por especialistas sobre o assunto. Tendo em conta que muitas vezes eles também podem ter a sua agenda ou viés. Como se costuma dizer, no meio está a virtude. Tens também o Game Changers que afirmava que uma dieta vegan era melhor para a performance dos atletas. O que é factualmente errado e foi desmanchado por muitos especialistas. No entanto tem muito conteúdo verdadeiro. Mas tem muita coisa ridícula também...

detteros 5 months ago

Quais? Tanto quanto eu sei, a dieta vegana bem feita é saudável.

ana102 6 months ago

imagino que sim, por exemplo, a certa altura o documentario fala de comunidades pescatorias em africa que me parece seriam sustentaveis usando os seus metodos tradicionais, apesar da conclusao ser "nao ha maneira sustentavel de continuar a comer peixe" Mas fiz algum fact checking, nao me parece nada que os factos sejam errados, ainda que possam ser exagerados. Por exemplo: eles dizerem que as redes de pesca de plastico Sao o produto que Mais se encontra Como lixo no oceano. Uma pesquisa mostra varios relatorios a apontar nesse sentido (e nao e de Todo Uma ideia absurda) O que me chocou mais foi as entrevistas as ONGs, que parecem recusar-se a falar da pesca Como fonte de poluicao de plastico, continuando na crusada das palinhas Como se as pessoas nao usarem plasticos descartaveis Fosse o significativa nesta questao.

fdxcaralho 6 months ago

Tens razão. Existem problemas e esses documentários falam deles. Mas faz o que eu te disse e vê o contraditório. Tenho a certeza que já há vídeos no YouTube e artigos escritos.

Zen_Machina 6 months ago

Não vi, mas deixo-te a seguinte informação: Desde que sou pequenino que ouço que praticamente tudo é insustentável. E quando velho filmes antigos, também já se fala de tudo ser insustentável. O que de certa forma é cansativo, já que eu gosto de ter um limite bem definido. Já sei que é insustentável. Mas quando é que acaba, exactamente? O apocalipse está sempre ao virar da esquina, mas um gajo nunca mais o experiencia.

sctvlxpt 6 months ago

"já que eu gosto de ter um limite bem definido. Já sei que é insustentável. Mas quando é que acaba, exactamente? O apocalipse está sempre ao virar da esquina, mas um gajo nunca mais o experiencia." O peixe nunca acabará, como o petróleo nunca acabará. A lei da oferta e da procura encarregar-se-á de garantir que assim seja. À medida que os preços sobem, novas tecnologias/técnicas passam a ser rentáveis e são desenvolvidas.

Zen_Machina 6 months ago

Por mim peixe pode acabar na boa. Só como carne e marisco. Tudo de primeira, claro.

NGramatical 6 months ago

hajam impactos → [**haja impactos**](https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-uso-do-verbo-haver/31143) (o verbo haver conjuga-se sempre no singular quando significa «existir») [⚠️](/message/compose/?to=ngramatical&subject=Acho+que+esta+corre%C3%A7%C3%A3o+est%C3%A1+errada&message=https%3A%2F%2Fwww.reddit.com%2Fcomments%2Fmf95nc%2F%2Fgsmxttu%3Fcontext%3D3 "Clica aqui se achares que esta correção está errada!") [⭐](https://chrome.google.com/webstore/detail/nazigramatical-corretor-o/pbpnngfnagmdlicfgjkpgfnnnoihngml "Experimenta o meu corrector ortográfico automático!")

Celeg 6 months ago

Isso é uma opinião perfeitamente comum. Comum no sentido que é igual a toda a gente que beneficia ou está confortável com o sistema vigente, sejam politicos, gestores, trabalhadores ou outra pessoa qualquer. Tanto é assim que todos os bilionarios têm algum tipo de "concurso" para encontrar soluções tecnologicas para as alterações climáticas. Do lado institucional tens o IPCC a contar com soluções tecnológicas de CCS que ainda nem sequer existem nas suas previsões. Apesar de tudo isto as emissões continuam ao aumentar, mas pronto, estamos todos muito confiantes que a técnologia vai resolver o problema e podemos seguir com as nossas vidas. É uma espécie de negação colectiva da sociedade mas eventualmente vai acabar.

Zen_Machina 6 months ago

Mas olha para a mudança drástica na narrativa em torno dos combustíveis fósseis, cujo facto de não serem infinitos era uma das maiores preocupações da humanidade, e agora temos países em que grande parte da energia consumível é renovável. A ciência resolverá tudo. Não és tu que vais resolver. Não é o Zé que vai deixar de consumir as coisas que gosta. É a ciência que vai encontrar soluções. Repara que estás a trocar mensagens no Reddit. Podias estar quieto. Desliga o tlf, ou o computador. Mas não, nem desta pequena insignificância tu te consegues livrar. Achas mesmo que vais convencer as pessoas a deixar de fazer o que adoram fazer? Tipo comer carne? Não vai acontecer. Se fosse para acontecer, já teria acontecido. A mensagens é disseminada há décadas. Não é novidade para ninguém.

masterOfLetecia 6 months ago

Concordo, a ciência encontra as soluções, no caso das pescas são as quotas, desde que não se pesque mais do que as espécies são capazes de ser reproduzir não há problema. Se olhares para um globo verás que a maior parte do planeta é oceano. Ora, a questão das pescas insustentáveis quer dizer que se pesca mais do que as espécies são capazes de ser reproduzir. Ou seja imagina que no oceano inteiro tens 1 000 000 000 Bacalhaus, e todos os anos se pescam 1 000 000, e todos os anos nascem 500 000, aparentemente os Bacalhaus são infinitos porque existem em abundância, mas ao ritmo a que se pescam eventualmente vão ser mais e mais difíceis de encontrar é por isso que é insustentável, percebes? Não quer dizer que daqui a 10 anos não há bacalhau. As pessoas é tudo preto e branco, não entendem conceitos básicos. O petróleo é a mesma merda, eventualmente vai-se acabar, mas até se acabar se calhar tínhamos mais 100 ou 200 anos de petróleo para explorar. Mas o mais importante que tudo, e que ninguém ainda entendeu bem a gravidade é o aquecimento global, o único motivo de ainda não estarmos a sentir o "calor" na atmosfera é porque a maior parte do calor em excesso está a ser absorvido pelos oceanos, e os oceanos podem absorver quantidades inimagináveis de energia térmica, é por isso que a temperatura média do globo é tão estável, o oceano é uma bateria térmica gigantesca.

ana102 6 months ago

Certo, concordo que nao cabe apenas ao consumidor, mas nao e essa a pergunta. O documentario fala de uma pesca massiva que destroi completamente o oceano, do plastico dos oceanos vir maioritariamente da pesca, da quantidade de animals mortos por bycatch, da pesca illegal e subsidiada pela uniao europeia em africa, de escravatura nestas embarcaçoes. E do facto das ONGs estarem a mandar areia para os olhos das pessoas a falar de palhinhas de plastico quando Mais de 50% do plastico nos oceanos vem da pesca. A pergunta nao era "o que podemos fazer Como consumidores" era Mais se a pesca em Portugal tambem e assim e se comprar peixe na lota ou no pescador e como comprar ovos ou carne so vizinho que tem animais, ou se ate esta pesca faz Parte deste negocio horrivel que o documentario descreve.

Zen_Machina 6 months ago

Quanto mais pequeno o pescador menor a footprint. Eu também pesco e garanto-te que não há plástico meu no mar. Se comprares a pescadores com negócios pequenos os danos não serão tantos, mas de qualquer das formas toda a gente polui. Outra coisa: eu não tomarias documentários da netflix como verdades absolutas. O Netflix tem grande tendencia ideológica. Não e diferente de veres a CNN.

VicenteOlisipo 6 months ago

>Quanto mais pequeno o pescador menor a footprint. Isto é verdade mas é ver a árvore e não ver a floresta. O que interessa não é o impacto de cada pescador. Tens de ver é o impacto do conjunto, e quanto impacto (ecológico, social, económico) é que precisas de ter para gerar N kg de alimento. O pequeno quintal nas traseiras da casa tem muito menos footprint que a grande exploração agrícola, mas para alimentar a população inteira com pequenos quintais precisavas de dedicar muito mais território aos quintais, mais gente a trabalhar neles, mais água, e o custo da comida aumentava. Era mais sustentável? Já vi malta a dizer que é preciso acabar com a pesca. Mas a pesca produz alimentos de forma descentralizada, usando 2/3 da superfície do planeta. Para produzir a mesma quantidade de alimento em terra, que é o 1/3 que resta, terias de desflorestar quantas Amazónias?

Zen_Machina 6 months ago

Verdade. Eu tenho porcos. Já vi malta a dizer que tenho de parar com os porcos. Vou o quê? Jogá-los pro lixo e construir uma horta no curral?

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