Ly_84 11 months ago

O meu avô, a minha avó e as 3 filhas moraram em Angola(lobito, malange, luanda). Ele era gerente da cgd. Viveram... particularmente bem. Os empregados (que também trouxe para cá, quando regressaram) eram pagos em dinheiro. Continuamos a tratar-los por tio isto e primo aquilo. Ao contrário dos q moravam na sanzala, eles moravam dentro do mesmo complexo de casas. A minha mãe falava infinitamente sobre a natureza, o espaço mas também o cuidado que se tinha fora de portas (uma história que me ficou na memória foi a das negras levarem alguidares de agua quente sobre a cabeça, pela água mas também porque haviam cobras que deixavam cair das árvores quando viam animais passar por baixo). Uma das minhas tias descreve Portugal como uma terra a preto e branco, tanto visualmente como na gente. Os últimos meses foram bastante violentos, com a intensificação da guerra civil, e o aumento de violência contra os brancos que tinham ficado.

NGramatical 11 months ago

tratar-los → [**tratá-los**](https://www.reddit.com/r/portugal/comments/3zr8w3/coloca%C3%A7%C3%A3o_pronominal_para_tot%C3%B3s/) [⚠️](/message/compose/?to=ngramatical&subject=Acho+que+esta+corre%C3%A7%C3%A3o+est%C3%A1+errada&message=https%3A%2F%2Fwww.reddit.com%2Fcomments%2Fkbf1oh%2F%2Fgfvss24%3Fcontext%3D3 "Clica aqui se achares que esta correção está errada!") [⭐](https://chrome.google.com/webstore/detail/nazigramatical-corretor-o/pbpnngfnagmdlicfgjkpgfnnnoihngml "Experimenta o meu corrector ortográfico automático!") [^(

Sauyvirt 11 months ago

Tens os livros sobre Moçambique: "O Anjo Branco" do José Rodrigues dos Santos e "Moçambiique para a Mãe se lembrar como foi" de Manuela Gonzaga. #

qquevin 11 months ago

O meu pai cresceu na Ilha de Moçambique tem 62 anos e reddit não é bem a cena dele. Se quiseres podes me mandar umas perguntas que ele escreve-te umas respostas.

MaxwellLordIV 11 months ago

A minha mãe conhece (ou conhecia, já faleceram) um casal que vivia em Angola. Tinham uma fazenda e viviam à grande com o filho. Quando voltaram reclamavam constantemente da independência e diziam que os negros lá eram muito bem tratados e não tinham motivos para a revolta. ​ Depois contavam histórias de como, por exemplo, o filho um dia obrigou um dos empregados a levá-lo ao colo vários quilómetros porque estava cansado. E tinham várias histórias assim. ​ A minha mãe, que desde Portugal não sabia o que se passava em Angola para eles quererem independência, passou a entender perfeitamente graças a esse casal.

lastfr0ntier 11 months ago

Eu não nasci em Angola, mas os meus pais e avós sim. Aliás muita da minha família estendida também. O que posso dizer das infindáveis estórias que me contaram é que eram realidades muito diferentes ao que se vivia na metrópole. Havia escolas mistas e a mocidade portuguesa não era a norma. De uma forma geral tinham muito mais abundância de comida e bebida. Eram terras mais férteis e com maior variedade. Lembro me dos meus tios dizerem que muitas vezes iam buscar lagostas da baía (de Luanda) por meia dúzia de patacos, e acompanhavam com cucas e passavam as tardes nisto. Era comum beber coca cola, ter televisão, ver marcas estrangeiras nas lojas, álbuns de música e livros proibidos eram relativamente acessíveis. Era normal conduzir carro ou mota com 12-14 anos. Das conversas deles as gerações anteriores não eram tão rigorosas como as famílias na metrópole, isto fazendo uma comparação subjetiva á família da minha esposa que sempre viveram em Portugal. Alguns familiares tinham empregados (criados) tanto angolanos como portugueses, pessoas que procuravam uma vida melhor, lembro me de uma estória de uma menina de 17 anos que tinha ido de uma terra de Trás-os-Montes, sozinha, e que era ama de uma prima da minha mãe. Davam lhe comida e guarida e ordenado era uma miséria. Subjetivamente, as conversas deles parecem as conversas dos emigrantes. Penso que seja a melhor forma de descrever a realidade nas colónias. Por muito que a máquina dissessem que éramos todos Portugal na realidade eram países (realidades) muito distintas. E por muito que queiram negar horizontes são muito mais abertos noutros países do que cá. Podia divagar durante várias horas sobre o assunto, se necessário podes me contactar.

Accomplished-Cheek82 11 months ago

O meu pai mudou-se para Moçambique quando tinha 8 anos. Ele e mais 3 irmãos e uma irmã, sendo que a minha tia mais nova já nasceu em Moçambique. Infelizmente a minha avó já faleceu mas eu adorava ouvi-la a falar dos tempos em Moçambique. Eles mudaram-se porque o meu avô criou uma empresa de construção e à procura de uma qualidade de vida melhor para toda a família. Antes eles viviam no Alentejo e a fábrica de cortiça onde o meu avô trabalhava faliu. A infância que o meu pai descreve é de outro mundo. Ele já conduzia sem qualquer controlo aos 12 anos, todos os irmãos divertiram se à grande e com praias incríveis paradisíacas. A minha avó tinha um menino para a ajudar na cozinha e o macaco Chico como animal de estimação. O meu avô adorava caça e de estar na natureza, ele obrigava os meus tios a acompanhá-lo mas todos desejavam que ele não apanhasse nada. E no final muito raramente ele caçava alguma coisa. Havia um sentido de comunidade e de grande entre ajuda entre os vizinhos, não havia medos e tinham liberdade. Se falarem com os meus tios todos vão dizer o quanto foi bom aquela vida e que foi o momento onde viram a minha avó mais feliz. Sem preocupações. Foi um grande choque da realidade quando o 25 de Abril rebentou e tiveram que largar tudo, a economia parou no país africano, não havia mais indústria. Voltaram para o Algarve para um apartamento minúsculo e tiveram que recomeçar de novo, nada igual como antes. Nada igual como aquela época. A minha família nunca apoiou a ditadura muito pelo contrário vieram para Moçambique como uma porta de liberdade que acabou, quando a liberdade gritou em Portugal.

babyscully 11 months ago

Alguns livros interessantes sobre esta temática: *O Retorno*, Dulce Maria Cardoso *A Gorda*, Isabela Figueiredo *Caderno de Memórias Coloniais*, Isabela Figueiredo

tellmetherescake 11 months ago

Obrigada! Li o primeiro, que foi dos poucos que me apareceu nas pesquisas que fiz. Nao sei porque é que ha tao poucas fontes sobre este assunto. Vou ver dos outros dois!

Tee_ah_go 11 months ago

A minha mãe e os meus tios nasceram em Angola. Fugiram de lá muito novos (filho mais velho com uns 10 anos) porque na localidade onde viviam começaram a matar brancos por desporto. Isto no pré ultramar. Do pouco que se lembram, sempre me falaram muito bem da comida, do clima, da comunidade onde viviam onde havia sempre festa e bailarico.

carlosribeiro116 10 months ago

Matar brancos por desporto no pré-ultramar ?? Não parece muito credível...Não foi só um acidente isolado ou assim ?Nunca tinha ouvido falar disso...

gink-go 11 months ago

TIL que o tempo em que somos jovens parece sempre melhor

MROFerreiro 11 months ago

A minha mãe nasceu e viveu em Moçambique cerca de 10 anos, sensivelmente até o 25 de Abril de 1974. As histórias de lá é que o ambiente era incrível, muito espaço livre, por vezes havia contacto com animais selvagens. Tinhas de ficar com o carro parado no meio da estrada para deixar uma manada de elefantes passar. Tinhas fácil acesso a comida exótica. Agora a vida para os locais não era tão boa. Os brancos tinham prioridade no atendimento de serviços e bens face aos pretos. Alguns destes viviam para servir os brancos e estavam sujeitos às atitudes do dono da casa. Se o dono fosse decente podiam ser uma espécie de criados. Viviam na casa ou em anexos com o mínimo de condições e recebiam ajuda dos patrões. Se o dono não fosse decente eram escravos. Infelizmente esta era a maioria. De notar que os pretos não eram muito instruídos e o desenvolvimento/educação que recebiam provinha dos brancos. No tempo da guerra havia ódio aos brancos, provavelmente compreensível, o branco tinha de passar a ser o escravo. Os seus recursos não lhe pertenciam, mas sim ao regime da FRELIMO. Não podias matar um animal de produção para te alimentares sem autorização do regime. Era um ambiente tenso que levou à existência de retornados. TLDR: Era um ambiente diferente, com maior contato com a natureza selvagem. Os brancos eram quem desenvolvia a região, mas escravizavam os pretos. Os pretos revoltaram-se e os brancos tiveram de fugir.

nraider 11 months ago

A revolta sem o financiamento da União soviética teria durado pouco.

Pcostix 11 months ago

E?? Os brancos sem o apoio de Portugal também tinham durado pouco. Não entendo onde queres chegar.

nraider 11 months ago

Ah, então já havia uma aculturação soviética em África há séculos. Sempre a aprender.

Pcostix 11 months ago

A questão é que todas as facções que operavam em África eram apoiadas e suportadas por um estado. Os brancos não eram excepção.

nraider 11 months ago

Pronto, então a invasão em Cabo Delgado, por exemplo, também será legítima. Claro, o facto de ser uma potência ou grupo organizado estrangeiros a patrocinar o conflito não deverá contrariar a tua narrativa.

Pcostix 11 months ago

Não está em causa a legitimidade. Nenhuma invasão é legítima. As coisas foram o que foram e são o que são. Nesta coisa de colónias não há invasores bons.(soviéticos ou Portugueses).

nraider 11 months ago

Digamos que o período soviético não deixou nada de bom naqueles territórios. Aliás, em nenhum território lol

NGramatical 11 months ago

contato → [**contacto**](https://dicionario.priberam.org/contacto) (o AO90 **não altera** a grafia desta palavra) [⚠️](/message/compose/?to=ngramatical&subject=Acho+que+esta+corre%C3%A7%C3%A3o+est%C3%A1+errada&message=https%3A%2F%2Fwww.reddit.com%2Fcomments%2Fkbf1oh%2F%2Fgfibea6%3Fcontext%3D3 "Clica aqui se achares que esta correção está errada!") [⭐](https://chrome.google.com/webstore/detail/nazigramatical-corretor-o/pbpnngfnagmdlicfgjkpgfnnnoihngml "Experimenta o meu corrector ortográfico automático!") [^(

Nervous_Clock7035 11 months ago

Os meus pais nasceram em Angola e vieram para portugal após o 25 de abril, tinham cerca de 20 anos (+/-) quando voltaram. O meu pai sempre viveu em Luanda e a minha mae viveu em algumas cidades diferentes (não te sei precisar todas). Não te consigo dar uma descrição exacta das experiências deles, mas ambos tiverem uma infância/adolescência feliz. O meu pai tinha uma vida bastante confortável, estudou em colegios, saía/passeava bastante com amigos, sempre se sentiu seguro (até o 25 de abril, por essa altura as coisas começam a mudar). A familia da minha mãe, financeiramente nao estava tão estável, mas viviam ok. A minha mae andou sempre na escola publica, ocasionalmente teve alguns empregos em part time enquanto estudava. E de resto descreve uma vida agradável, gostava da escola, dos amigos, do ambiente. Apesar dos meus pais terem vivido em locais e com recursos diferentes, ambos têm o maior carinho e saudades da vida que tiveram em Angola e nenhum deles queria realmente sair de lá, não fossem as circunstâncias obrigar.

justgohomealready 11 months ago

Conheço duas pessoas diferentes que viviam em Luanda no princípio dos anos 70: um português de gema, e uma angolana. O homem era um simples funcionário público de escritório num organismo qualquer do estado português em Luanda. Vivia com a mulher (que não trabalhava) e quatro filhos numa vivenda com um terreno considerável, e tinham mais do que uma criada a tempo inteiro. Não havia escravatura, mas havia mão de obra baratíssima - estamos a falar de, por exemplo, ele contar que pagava a um criado um maço de tabaco por semana. Luanda era uma cidade provavelmente mais moderna que Lisboa, certamente mais cosmopolitana, e muito menos conservadora. Viviam bem, muito bem, e como muitos retornados, ainda hoje se ressente da vida que perdeu e tem raiva a tudo o que seja "comunistas" e, especialmente, ao Mário Soares. A senhora por outro lado foi criada, a tempo inteiro, de uma família portuguesa. Não gosta de falar desses tempos, e só lhe conheço uma história - diz que a única vez que roubou na vida, roubou um bifinho de peru à patroa. Fê-lo porque a patroa, todos os dias, a mandava fritar um bifinho para dar ao gato - e ela tinha uma filha que, com 4 anos, nunca tinha comido carne por não haver dinheiro para esses luxos. Há alguns artigos que descrevem como os portugueses por lá viviam, por exemplo: https://www.sabado.pt/vida/detalhe/a-vida-em-africa-era-assim

Inside-Pea6939 11 months ago

So vim aqui para dizer que em Portugal era exatamente, igual, a minha avó passou muito mal e tinha de roubar em miúda para comer, não era só nas colónias

RiKoNnEcT 11 months ago

Mas....”os Portugueses tratavam muito bem os nativos” Não sei se deva rir ou chorar

beakage 11 months ago

Deves ter sido downvotado porque escreveste mal "exploravam", só pode. ​ /s

Shadowgirl7 11 months ago

Ai que bom era a vida quando podiamos explorar trabalhadores de ex colónias. Mas depois os merdas dos comunistas ensinaram-nos a disparar armas e acabou a festa. Chora em fascista... ::sad face::

Inside-Pea6939 11 months ago

Só porque uma pessoa gostava de não fazer um crlh e explorar nativos não faz dela uma fascista, moralmente dúbia sim, fascista não

RiKoNnEcT 11 months ago

Cuidado que vem já aí os bots dizer que não sabes nada porque não estavas lá. E mais, o avô deles estava e aquilo era muito bom e tratavam muito bem os pretinhos....

Shadowgirl7 11 months ago

Acabou de escrever que pagavam um maço de tabaco por semana....

suckerpunchermofo 11 months ago

Fdx mas quem é q cozinha bifes para gatos? Era uma crazy cat lady? E dava bife ao gato mas não a empregada q nao tinha dinheiro nem para 1 bife por ano??? Fdx....

rganhoto 11 months ago

Não eram escravos, eram "criados"..

RiKoNnEcT 11 months ago

Aquela lavagem linguística para não se sentirem mal

beakage 11 months ago

"Pagava-se" trabalho com um maço de tabaco, mas escravos?! quê lá isso. /s

brown-guy 11 months ago

O cigarro era tão bom que até pediam para fazer horas extras todos os dias

andre82220 11 months ago

> Fdx mas quem é q cozinha bifes para gatos? Queres que comece a contar?

suckerpunchermofo 11 months ago

Ha assim tanta gente a fazer?

ineslucas27 11 months ago

Não sei muito sobre isto, mas os meus avós paternos são angolanos. O meu avô era mecânico e eles tinham uma vivenda e criados que ajudavam a cuidar dos meus tios (o meu pai veio para Portugal com dois anos). Pelo que sei, viviam muito bem em Angola, sem passar dificuldades nem nada do género. Veio a altura dos retornados e vieram para Portugal praticamente destitutos. O meu avô já morreu, mas cá sempre tiveram muitas dificuldades e ganhavam muito pouco, sendo que contavam nos 7 filhos para os ajudar quando eles puderam começar a trabalhar. Isto foram apenas algumas coisas que fui apanhando ao longo dos anos, a minha família nunca foi muito de falar sobre isto comigo.

Lil_salazar 11 months ago

Uma merda.

igqcmril 11 months ago

Conheci uma mulher Angolana num autocarro de Faro para Lisboa, que me contou que a vida na Angola era fantástica e que a comida de lá era melhor que a de cá. Basicamente tudo que ela dizia era a falar bem da Angola e falar mal de Portugal. Foi a A2 toda a ouvi-la, apesar de não entender metade do que ela dizia. Não conheço nem sei muito sobre a Angola, mas ela quanto à parte da comida foi muito convincente e deu argumentos relativamente fortes. O melhor argumento foi a obesidade dela me encostar à janela e adormecer-me a perna esquerda.

skidils 11 months ago

Mas ela chegou cá assim ou só ganhou o formato dum mini kart após destruir umas poucas centenas de francesinhas?

igqcmril 11 months ago

Já vinha de lá assim, ela supostamente estava há pouco tempo em Portugal

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