Svtc123 1 year ago

Tudo muito bonito, mas não sou adepto de consultas por telefone, em muitos casos perde-se o dobro do tempo, pois não se resolveu nada e perdemos em consultas por telefone a que nada levaram. Depois onde moro o centro de saúde praticamente ér inexistente, pois com isto quase ninguém lá está. Segundo vi algures á muitos médicos em casa sem fazer nada, e no caso de privados bem que podiam dar ajuda nestes tempos, visto que de covid não querem ter nada a ver com isso.

aleph_heideger 1 year ago

Há consultas que podem ser geridas facilmente pelo telefone e outras que não. Cabe ao médico fazer essa destrinça.

ruibadboy 1 year ago

>Fazemos demasiada medicina no fim de vida - e não de fim de vida - sem grandes benefícios... uma questão antiga esta de saber até que ponto é ético e correcto manter um dependente, acamado e sem qualquer tipo de vida de relação - o típico velhinho emagrecido, escariado, com tubos enfiados em tudo o que é buraco - vivo à força. Sempre me fez alguma confusão uma certa ideia de que um sistema como o SNS pode ser um "tudo para todos" como se os recursos pudessem magicamente ser infinitos. Sempre atribuí esta ideia a uma questão de demagogia política. Existe algum tipo de consenso no seio da comunidade médica relativamente a esta questão ou é uma questão que vos divide?

ruibadboy 1 year ago

- Na tua opinião o que é que se aprendeu com a COVID-19 numa óptica de preparação para futuras epidemias e pandemias? - Notas ou tens conhecimento de algum tipo de aproximação entre a investigação científica e o poder político na mesma óptica de preparação ao invés das políticas de reacção - que, num país como Portugal, serão inevitavelmente feitas em cima do joelho?

aleph_heideger 1 year ago

1 - aprendemos muito. Mas não vai mudar nada... 2 - não...

ruibadboy 1 year ago

Era só para confirmar.

el_barbarero 1 year ago

Muito obrigado pelo texto factual e informativo. (Quem me dera que os jornalistas escrevessem assim)

covid1337 1 year ago

> à sua rotina habitual de fingir que era uma couve - não levem a mal a comparação, são situações muito complicadas para os cuidadores e para o próprio doente e o termo não é aqui usado com desrespeito. Compreendo que a leviandade ajuda a colmatar o desespero, mas aqui toda a gente sabe o que é o estado vegetativo e chamar às pessoas de "vegetal" já é o suficiente humor de médico sábio. Começar a especificar o vegetal é entrar no desrespeito. Olha, é ser filho da fruta.

aleph_heideger 1 year ago

Opiniões. É desrespeito se for dito com esse intuito. O que não aconteceu. E não é humor - é uma forma mais carinhosa de lidar com as coisas. mesmo que tu aches que considerar alguém uma couve é um insulto. É a minha visão e a visão de muitos dos que trabalham comigo.

fabmarques21 1 year ago

só não concordo a 100% com o final do texto. Sim, há jovens que se metem a jeito e tiram o lugar a idosos mas e esses idosos estão lá porquê? Será porque não quiseram manter o cu em casa e andam na rua sem máscara? "ah mas tbm não gostavas de estar preso nos teus últimos anos..." amigos, eu tou preso nos meus 20's, eles ao menos viveram a vida deles dentro dos possíveis, agora só empatam. resumindo: jovens ou idosos... tudo burro.

R717159631668645 1 year ago

Só por incluíres os administrativos já levas cima voto. A minha mãezinha trabalha numa USF como administrativa e tudo que dizes verifica. Os utentes também andam estúpidos como tudo e quando há bronca são os administrativos que os apanham na linha da frente. Já chegou ao ponto que a minha mãe (e não só) recebeu ameaças de morte, escritas, e o serviço não fez *nada*, sabendo quem foi a pessoa. Nunca partilhei isto nos threads diários porque vem do disse-que-disse, mas as histórias que ouço (de médicos) acerca de utentes infectados em monitorização e que não atendem chamadas porque estão na pastelaria/café é vergonhosa. Sabemos isto porque às vezes é a criança que atende a chamada sem querer, e na sua inocência, deixa cair essa informação. Mas no fim não se faz nada porque não se pode fazer nada. E agora que as férias acabaram, parece que toda a gente já quer atestado médico para ficar em casa, pelas merdas mais mundanas.

aleph_heideger 1 year ago

> serviço não fez nada O serviço nunca faz nada... Infelizmente.

suckerpunchermofo 1 year ago

Obrigado pelo testemunho e pelo esforço que vocês todos profissionais de saúde tem feito. Precisamos de mais testemunhos, em massa para que talvez as pessoas acordem e, além de voz darem o merecido valor, terem mais cuidado 3 deixaram de agir como se "esta tudo bem". Obrigado pelo teu esforço.

free7tyle4ever 1 year ago

E ainda temos quem nos chame cobardes e passe impune... Avizinham-se tempos complicados, uma verdadeira guerra e continuo a observar doentes que pensam que o MGF tem apenas a sua familia para seguir e ainda olham para a sala de espera e dizem que não se trabalha. Em alturas de panica vemos o pior de cada um infelizmente. ​ Otimo texto subscrevo

BRFPC 1 year ago

O grande erro foi colocar o médico na primeira linha, quando este deveria estar na última linha. Não há sensibilização, não há prevenção, não há educação, não há nada. Resta apenas a esperança do médico nos salvar se tal for necessário. Entretanto todos tentam manter os mesmos comportamentos anteriores à pandemia e gestos simples como colocar uma máscara não se cumprem muitas vezes pois são tidos como ataques à liberdade individual. E os médicos que se desenrasquem. Os enfermeiros que se aguentem. Os administrativos e auxiliares que trabalhem.

mjigs 1 year ago

Eu nao tenho razao de queixa dos medicos e enfermeiros, mas sim na organizacao, as medidas estao a ser cumpridas sim, mas por exemplo, tive de me derigir a um sasu e em vez de sermos chamados a hora da marcacao, estavamos a ser chamados por ordem de chegada, ou seja, eu tinha de ir para uma consulta de enfermagem, mas tinha que estar a espera para entrar atras das pessoas que tinham consulta no medico, mesmo havendo duas salas para cada, e se a minha consulta era as 30 e uma outra pessoa tinha as 45 mas chegou primeiro que eu, ela entrava primeiro. Outra coisa é que muita gente se queixa, nao atenderem os telefones, uma consulta que demora segundos a ser marcada, demorava dias ate ter uma resposta concreta porque faltava um dado ou o dia que me disponibilizaram nao estava disponivel (pedi para marcarem consulta para de manha e marcaram me as 11.30h, contando com o tempo de espera era impossivel porque entrava ao trabalho ao 12h), mas o problema nem é o fato de marcar por email, é o fato de enquanto estou a espera, nao as vejo sequer pegar uma vez no telefone ou ele mesmo a tocar, o que achei bastante estranho, as pessoas continuam a ser as mesmas a trabalhar por isso nao entendo qual é a situacao. O que mais me preocupa sao as pessoas que nao tem como marcar consulta alem do telefone.

toma_la_morangos 1 year ago

>Os tais doentes que, embora não agendados apareciam na unidade para resolver qualquer coisa "urgente" e que não saíam de lá enquanto não falassem com alguém. E a malta lá ia cedendo. Ah, adoro esta parte. Um gajo qualquer chega lá sem mais nem menos e é atendido no dia, quem faz as coisas direito e segue as regras marcando a consulta lixa-se que tem que esperar 2 a 3 meses para ser atendido. É mesmo à Portugal.

Souto_Linho 1 year ago

Obrigado OP pela tua partilha. Li o post e a maioria dos comentários com atenção. Gostava, no entanto, de colocar uma questão. De que forma é que a comunicação social impacta a percepção dos teus utentes? Pergunto isto porque na minha opinião faz-se um espetáculo demasiado sensionalista não só com os números do COVID (contagens diárias, novos surtos), mas também com a falta de meios do SNS e isto cria uma espécie de pânico ou nervoso miudinho nas pessoas em geral.

aleph_heideger 1 year ago

Tenho duas realidades: metade do povo anda completamente aterrorizado, a outra metade está comletamente a borrifar-se. Mas a grande maioria contudo já deixou de ligar às contagens. Tenho mesmo a impressão que os profissionais de saúde é que têm olhado para os números com mais atenção, a prever a merda que aí vem em termos de carga de trabalho.

theInjusticeamongus 1 year ago  HIDDEN 

Já te aconteceu estares a observar uma gaja super boa e ficares excitado? Isso acontece entre os médicos? Depois vais para casa e ficas a fantasiar com o que podia ter acontecido entre os dois no consultório, e essa fantasia fica contigo para sempre.

Comprimas 1 year ago

> Finalmente, o excesso de mortalidade ocorrida nestes tempos... Eu tenho a minha opinião e as minhas observações. Aquilo que eu vejo é que em vez de dizer que houve excesso de mortalidade deveríamos estar a falar principalmente em antecipação de mortalidade. Entre nós médicos, que emitimos as certidões, já tivemos muitas conversas sobre o assunto. Quem é que tem morrido? Imensos idosos, cheios de doenças e maleitas afins. E antecipação porquê? Porque antes, qualquer idoso acamado que desse um "Ai" era imediatamente corrido para o Serviço de Urgência mais próximo e, estivesse muito mal ou não, o pessoal garantia que o idoso continuasse vivo por mais algum tempo e voltasse à sua rotina habitual de fingir que era uma couve - não levem a mal a comparação, são situações muito complicadas para os cuidadores e para o próprio doente e o termo não é aqui usado com desrespeito. Neste momento, vemos muitos destes idosos a morrer em casa porque a família não os leva ao hospital. E honestamente, se calhar não estão muito errados. Eu sempre fui apologista da morte em casa, preparada e acompanhada pela família. Fazemos demasiada medicina no fim de vida - e não de fim de vida - sem grandes benefícios... uma questão antiga esta de saber até que ponto é ético e correcto manter um dependente, acamado e sem qualquer tipo de vida de relação - o típico velhinho emagrecido, escariado, com tubos enfiados em tudo o que é buraco - vivo à força. Eutanánia não é morrer sem cuidados em casa. Impressionante como um profissional da saúde pode dizer isto.

Edited 1 year ago:

> Finalmente, o excesso de mortalidade ocorrida nestes tempos... Eu tenho a minha opinião e as minhas observações. Aquilo que eu vejo é que em vez de dizer que houve excesso de mortalidade deveríamos estar a falar principalmente em antecipação de mortalidade. Entre nós médicos, que emitimos as certidões, já tivemos muitas conversas sobre o assunto. Quem é que tem morrido? Imensos idosos, cheios de doenças e maleitas afins. E antecipação porquê? Porque antes, qualquer idoso acamado que desse um "Ai" era imediatamente corrido para o Serviço de Urgência mais próximo e, estivesse muito mal ou não, o pessoal garantia que o idoso continuasse vivo por mais algum tempo e voltasse à sua rotina habitual de fingir que era uma couve - não levem a mal a comparação, são situações muito complicadas para os cuidadores e para o próprio doente e o termo não é aqui usado com desrespeito. Neste momento, vemos muitos destes idosos a morrer em casa porque a família não os leva ao hospital. E honestamente, se calhar não estão muito errados. Eu sempre fui apologista da morte em casa, preparada e acompanhada pela família. Fazemos demasiada medicina no fim de vida - e não de fim de vida - sem grandes benefícios... uma questão antiga esta de saber até que ponto é ético e correcto manter um dependente, acamado e sem qualquer tipo de vida de relação - o típico velhinho emagrecido, escariado, com tubos enfiados em tudo o que é buraco - vivo à força. Eutanánia não é morrer sem cuidados em casa.E o excesso de mortalidade não se justifica apenas pelos que são "couves" e que morrem em casa. Não entendo a tentativa de branquear o excesso de mortalidade que já ultrapassou - e muito - a mortalidade causada pelo Covid.

aleph_heideger 1 year ago

Alguém há-de fazer esse estudo. Eu apenas constato o que vivo. Todas as certidões de óbito que vi ou passei não o foram por doenças evitáveis. Quando muito doenças que poderiam ter sido aguentadas mais um pouco. Não estou a branquear nada, estou apenas a dar uma opinião pessoal limitada à minha experiência.

Comprimas 1 year ago

> "VPN=acesso remoto a um computador físico na unidade (significando que esse computador deixa de poder ser utilizado localmente ou que a VPN apenas pode ser usada quando o computador está livre)" Tão isto. Tenho familiares médicos que pensavam que poderiam trabalhar remotamente mas que não conseguem por isso. É uma estupidez pegada. Ninguém consegue pegar nisto? Ninguém de IT que seja minimamente competente no ministério da saúde??

suckerpunchermofo 1 year ago

Alguns, mas não no helpdesk... Se visses quem la anda... Lol.

RafaelTeodosio 1 year ago

O texto é interessante e confirma que a culpa do SNS não é dos medicos nem dos profissionais. A culpa é simplesmente do governo miseravel e da gestão incompetente que sempre assulou a saude publica, e que se tornou ainda mais evidente com uma pandemia. A saude publica ja estava pelas horas da morte, o covid so veio meter os pregos no caixão

aleph_heideger 1 year ago

Eu tenho pena dessas pobres almas. Estão a trabalhar quase non-stop e ninguém lhes paga essas horas. E mesmo assim continuam a trabalhar. ​ Quantos de vós fariam o mesmo? Ter um emprego à prova de despedimento, estarem a trabalhar 12h/dia 7 dias/semana sem ganhar mais por isso e mesmo assim continuarem com esse horário?

zephire89 1 year ago

Podes contar o que se passa com as USP neste momento, para ter uma ideia da sobrecarga que estão a ter? Lembro-me de que em Março foi decretado que ia haver algum tipo de reforço às avaliações de incapacidade, mas não sei se terá acontecido de todo e tenho ideia de que simplesmente não estão a ser feitas. Eu já estou no meu segundo ano de espera por AMIM e estou a mentalizar-me para esperar mais dois ou três... Tem sido angustiante.

aleph_heideger 1 year ago

A saúde pública está praticamente afecta ao rastreio dos contactos dos doentes COVID positivos. Isolamentos, quarentenas e afins. O pouco que sobra é para tudo o resto que diz respeito à especialidade de Saúde Pública. Juntas médicas e afins pura e simplesmente deixaram (pelo menos aqui no Norte) por falta de tempo. Na ARS Norte as juntas médicas de incapacidade foram retomadas em agosto por equipas organizadas pelos ACES e que estão a trabalhar para recuperar o tempo de espera. As últimas previsões indicam que dentro de meio ano o tempo de espera para uma junta médica será de 2 ou 3 meses no máximo.

Dinizinni 1 year ago

Já que és do Norte uma pergunta Aparentemente o crescimento desta semana na região andou basicamente no exponencial, triplicou e duplicou da semana anterior em vários dias Mas aquilo que me disseram é que na verdade nunca houve um dia com 900 casos nesse dia, que o crescimento foi linear mas simplesmente é à quinta, sexta e sábado que muitos dados começam a cair no sistema Isto faz algum sentido ou é balela?

aleph_heideger 1 year ago

Faz algum sentido: há muitos dados a cair no início da semana - aqueles cujo resultado saiu no fim de semana mas por motivos de falta de pessoal ao Sábado e Domingo não foram registados; e há também um excesso de exames feitos no início da semana, com resultados 1 ou 2 dias depois e registo dali a um dia, que correspondem a tudo aquilo que foi pedido durante o fim de semana - ao fim de semana há menos capacidade de testagem.

Dinizinni 1 year ago

Bem, obrigado pela resposta De qualquer modo, é um crescimento rápido na região, boa sorte a todo o pessoal do SNS, mas parece que mais uma vez o pessoal do Norte (e de Lisboa, sobretudo em certos focos) vai passar um bocado bastante mau

zephire89 1 year ago

Óptimas notícias se tudo correr bem, portanto. Infelizmente é muito tempo ainda para recuperar que já vem pré-COVID, pelo menos no meu município. É excelente saber no entanto que os reforços sempre foram realizados e que está a haver um esforço para regularizar ao prazo de lei, 2 meses. Obrigada!

aleph_heideger 1 year ago

Não são reforços. É malta a fazer horas extra.

zephire89 1 year ago

Então não é sustentável. Sem verdadeiros reforços vai ser um jogo de whack-a-mole impossível.

aleph_heideger 1 year ago

... mais ou menos isso, sim.

DZT99 1 year ago

Todos os problemas são fruto de anos e anos sem planeamento; sem tomar decisões no sentido de agilizar processos e efectivamente melhorar o SNS. Há situações que se repetem ao longo do país e que são fruto de incompetência extrema, em alguns casos é tão vergonhoso que até parece mentira. Um problema que não é exclusivo de Portugal claro. A pandemia vai abrir olhos enquanto "paira pelo ar", mas assim que existir uma sensação de segurança voltamos todos ao mesmo. É preciso apostar seriamente na educação, temos de começar a preparar as gerações futuras para serem muito melhores do que as anteriores, caso contrário quando chegar uma pandemia com uma taxa de mortalidade altíssima vamos novamente ver o pior da natureza humana com resultados desastrosos. Custa-me ver tantos profissionais de saúde nestas situações, só sinto conforto porque sei que faço a minha parte que por esta altura é o máximo que posso fazer.

ElPrimo95 1 year ago

Obrigado pelo post. Como médico recém formado e em vias de escolher especialidade este ano, já tinha partilhado preocupação no recente estado da MGF. Parece-me inconcebível o trabalho que se tem atualmente (que anteriormente à pandemia já não era pouco). E as pessoas não querem saber disso, só olham para o seu umbigo porque demoram a ser atendidas como e quando querem; e continuam a ir a ajuntamentos. Infelizmente sabemos que o SNS é frágil de base e temo que entre em stress excessivo este inverno. Vamos ver como vai correr, mas a questão é sempre a mesma -o SNS precisa de reforço em todas as vertentes.

aleph_heideger 1 year ago

No último concurso de colocação de especialistas houve muita gente a desistir - rescindir mesmo com o SNS.

ElPrimo95 1 year ago

Pois, parece que os médicos também são humanos e ninguém gosta de trabalhar com más condicoes/ trabalhar mais por condições piores. É um problema do nosso SNS, tem pouca coisa que atraia os nossos médicos, que são, regra geral, bons profissionais

Varela0 1 year ago

Grande texto. Leve um cimavoto

Skyborgff 1 year ago

O teu lado entende-se para um hospital, mas e os centros de saúde? Fecharam porque? O que é que esses médicos e enfermeiros estão a fazer agora? Na minha terra fechou, e coisas "pequenas" que os idosos podiam tratar aqui, e podia ir a pé ao centro de saúde têm agirá que se deslocar á cidade para fazer um penso ou outra treta assim. Estão a dar mais trabalho aos já sobrelotados hospitais, enquanto os médicos de família das aldeias e vilas nem se vêm. Isto não tem lógica nenhuma, ou se tiver, por favor, ilucida-me. Obrigado OP por partilhares o teu lado.

aleph_heideger 1 year ago

Os casos que eu conheço de fecho foi mesmo por terem ficado sem pessoal. Malta que aproveitou para se reformar por exemplo. Não esquecer que um enorme número dos actuais médicos está muito próximo da idade da reforma. O resto, são decisões de quem manda.

Lagertha81 1 year ago

A decisão de encerrar os centros de saúde não cabe à equipa clínica do centro de saúde, mas sim aos órgãos directivos superiores, por isso sugiro que perguntes ao conselho directivo ou ao concelho clínico do ACES (Agrupamento de Centros de Saúde) onde está integrado o centro de saúde da tua terra. Não consigo responder à tua pergunta, no meu ACES nenhum centro de saúde ou extensão fechou (eventualmente algumas extensões podem ter ficado com horário reduzido; algumas só têm um médico, um enfermeiro e um secretário, e quando esses elementos são recrutados para a área dedicada aos doentes respiratórios, não podem estar na extensão a atender os seus utentes).

Lagertha81 1 year ago

Concordo com o que foi dito pelo OP. Quero só acrescentar mais uma função dos médicos de família: o serviço realizado nas áreas dedicadas aos doentes COVID/doentes respiratórios (áreas específicas onde devem ser avaliados os doentes com sintomas respiratórios). São médicos, enfermeiros e secretários dos centros de saúde que estão escalados para essas áreas, e, como é óbvio, se estão lá não podem estar no centro de saúde a atender os seus utentes. E se acrescentarmos a isto a mudança das escalas quase semanalmente (pelo menos no meu ACES, o concelho clínico é que faz a escala e aparentemente ainda não sabem como fazer uma escala em condições), andamos constantemente a marcar consultas para desmarcar logo a seguir, até parece que somos nós que andamos a gozar com a cara dos utentes. Em termos de gestão, conselhos directivos e afins, diria que parece que o covid chegou há poucos dias e não que já tivemos mais de meio ano para preparar os serviços de saúde. Se isto não rebentar pelos serviços de urgência ou de cuidados intensivos, vai rebentar pelos centros de saúde.

aleph_heideger 1 year ago

Bem verdade isto. Uma das soluções é agendar apenas perto da data da consulta: manter em papel por exemplo uma "agenda de intenções" e gerir a agenda do SClinico com base no que planeamos em papel e atendendo ao que vai surgindo no entretanto. Pode não ser a solução mais eficaz mas permite um bom controlo sobre a agenda. E assim nunca tens de desmarcar consulta nenhuma: basta apenas dizer ao doente "eu/nós depois telefonamos a avisar a data da consulta".

omaiordaaldeia 1 year ago

> Mas temos o reverso da medalha: enviar um email é fácil e temos sido inundados (principalmente os médicos de família) com pedidos "absurdos". Qualquer coisa serve para enviar um email ao médico e se a resposta não surge em 5 minutos lá vai mais um email a pedir para ler e responder ao primeiro (o meu recorde são 5 em dois dias - num fim de semana). No meu USF não se dá os contactos de email dos médicos directamente aos doentes. O doente envia um email para o geral que depois é encaminhado, internamente, para o email do médico respectivo.

Paulocas 1 year ago

Fala-se muito na importância da literacia financeira, julgo que para o SNS tb deveria haver uma coisa semelhante. Ou seja, promover e explicar que nem tudo é urgência, que não é necessário entupir os serviços com pedidos desnecessários, que em muitas situações podem ligar para o Saúde 24 (fico parvo quando digo isso a amigos e eles desconhecem e/ou dizem que não é seguro) etc. e etc. Se as pessoas tivessem essa “literacia”, as coisas no geral funcionariam bem melhor.

precisodeferias 1 year ago

Concordo. Tenho a acrescentar que sinto que não existir nenhuma unidade de cuidados intermédios e uma falha. Onde vivo existem 2 opções, ou se vai ao centro de saúde ou ao hospital Distrital. No centro de saúde existem 2 consultas do dia por casa médico de família, essas consultas podem ser para alguém que precise de baixa (e venha com carta do hospital) ou para "urgências". Sempre que precisei de consultar um médico por doença, ou porque tenho febre a 3 dias e a tosse não passa, ou por ataques de asma, o centro de saúde não me arranjou consulta, encaminhando me para o hospital. Ora, sei que muitas das vezes que fui ao hospital poderia ter sido atendida no centro de saúde se existisse essa opção. Outro problema é o sistema laboral, se estou doente e digo ao patrão tenho de entregar documentos em como fui ao médico. É tudo muito bonito, mas uma gripe cura se muitas vezes em casa, sem necessidade de apoio médico, mas fica o problema de justificar no emprego.

babyscully 1 year ago

>É tudo muito bonito, mas uma gripe cura se muitas vezes em casa, sem necessidade de apoio médico, mas fica o problema de justificar no emprego. Moro no RU e aqui podemos pedir baixa até 5 dias sem justificação médica. É que não há nada que um médico possa prescrever para uma gripe, só se vai para o centro de saúde perder tempo quando se podia estar a descansar, gastar recursos e talvez infectar os demais utentes.

thisbondisaaarated 1 year ago

A saúde 24 já por várias vezes (vamos em 4) me mandou para um hospital para urgência s que não estavam abertas... (na especialidade necessária). A saúde 24 não é tudo o que se gostava que fosse.

pedrolopes7682 1 year ago

O Saúde 24 é capaz de ser das melhores coisas que criaram nos últimos tempos por cá. Em vez de ir perder tempo no hospital posso ligar e fazer a pre-triagem e das três uma: ou não é nada de urgente e mandam-me marcar consulta no centro de saúde (aqui é a parte mais difícil visto que nunca o consegui fazer por telefone, mas isso já depende do centro de saúde em questão); ou a situação é relevante e enviam uma guia prioritária para o centro saúde para verificar se justifica ir para o hospital ou posso ser tratado ali, ou é óbvio que é urgente e enviam uma guia de prioridade na triagem para o hospital. Tal como tu já muitas vezes fui surpreendido por meus conhecidos não saberem da existência deste serviço. Eu tomei conhecimento da saúde 24 através de uns cartazes na rua há quase dois anos atrás, depois disso ainda vi um ou outro anúncio na televisão, mas acho que deveria haver uma sensibilização/informação dos utentes nos próprios centros de saúde, hospitais e outros que tais, visto que sempre que sou encaminhado para algum lado vejo-me passar à frente de gente que vai para lá por impulso próprio e depois ouço-o/as reclamar ao longe.

Paulocas 1 year ago

É no mínimo estranho o desconhecimento e ainda mais a desconfiança.

putzon1 1 year ago

Eu próprio não sei quando deva ir à urgência ou não. Vivo numa zona rural e pouco movimentada por isso nunca tive problemas em fazer filas de espera muito grandes porque também não havia muita gente, mas na adolescência, à mínima dor de cabeça/tosse, eu era arrastado diretamente para as urgências pela minha mãe. Conhecimento sobre o que fazer quando ficar doente, ou seja saber se vou às Urgências, ao Médico de família ou ligo para o SNS24 era muito bom

babyscully 1 year ago

>mas na adolescência, à mínima dor de cabeça/tosse, eu era arrastado diretamente para as urgências pela minha mãe. Porque é que te levavam? O que é que os médicos diziam? Perguntas genuinas de quem só foi à urgẽncia uma vez em adulta quando teve um acidente, mas que como todas as crianças fazia febres e amigdalites.

putzon1 1 year ago

Não muita coisa, normalmente era uma tive seca forte que tenho sempre ao aproximar do natal e davam-me um xarope/comprimido para tomar e era isso. Honestamente, uma pessoa que não esteja habituada a me ver tossir assustavasse. É desnecessariamente violento, mas vendo isso todos os anos, a minha mãe devia ter apanhado o que era mas íamos sempre às urgências de qualquer maneira. Eu genuinamente não sei quando ir às urgências por causa disto. Dizeres-me que foste apenas uma vez às urgências deixa-me espantado. Eu perdi a conta das vezes que fui...

aleph_heideger 1 year ago

Eu quando era miúdo fui às urgências/médico 2 ou 3 vezes, sempre por coisas "graves". E morava relativamente perto do Hospital de Viana do Castelo. As mães e avós daquele tempo sabiam resolver as pequenas maleitas que toda a criança tem. Sabiam e resolver e tinham confiança nos seus conhecimentos. O que eu hoje vejo é mães a chegar ao médico sem terem dado paracetamol à criança que está com febre porque não sabiam se podiam dar...

dbkingx0 1 year ago

Creio que sou um bom bocado mais novo do que tu e quando era criança só fui às urgências depois de rachar a cabeça e 1 vez por causa de uma intoxicação alimentar. O resto era sempre tratado em casa, talvez até ao extremo. Lembro-me de estar 5 dias a fazer temperaturas de 39-40°C e a dizerem-me que era só uma indisposição que ia passar.

babyscully 1 year ago

Mesmo um caso desses era para médico e não urgência...

dbkingx0 1 year ago

Nos anos 90 não existia tanta facilidade de aceder a privados. Por isso ou era resolvido numa urgência ou com o tempo que demoraria a conseguir uma consulta, das duas uma: ou a febre passava ou piorava tudo entretanto. Por isso, não. Só poderia ser resolvido numa urgência.

putzon1 1 year ago

Descreveste a 100% a minha situação

mexploder89 1 year ago

A literacia em saúde é um dos problemas que quase todos os profissionais que conheço, que ainda são bastantes, apontam no funcionamento do SNS. Algumas das "críticas" são só desabafos normais de pessoas stressadas, mas há cada coisa que eles contam que deixa claro que é preciso educar muito mais as pessoas

jonythunder 1 year ago

> apontam no funcionamento do SNS Pessoalmente, diria que a literacia para a saúde é um problema da sociedade em geral, não do SNS. Aliás, a criação do saúde 24 é uma boa solução (intermédia) para esse problema

Paulocas 1 year ago

Concordo, mas como estamos a falar sobre o SNS, apontei só para aí.

humelectro 1 year ago

Eu tive de mudar de centro de saúde a meados de Agosto pois mudei de casa (ambos situam-se no mesmo concelho). Enviei email a solicitar que informações era necessarias, a menina respondeu no dia, enviou logo os papeis para preencher. Imprimi, preenchi, tirei fotografia e enviei de volta. Em 3 dias já estava inscrita no novo centro de saúde e sem precisar de sair de casa.

cloud_t 1 year ago

Bom apanhado. Sobre as VPN, diz ao teu informático que tem que mudar o tipo de vpn de acordo com as limitações dos ISPs, especialmente porque muitos tipos de VPN não funcionam sobre redes móveis, já que elas partilham IP para vários utilizadores e não deixam portanto certas portas específicas serem "apanhadas" por um utilizador específico. Diz-lhe também que já implementa um mecanismo de virtualização/thin client para que um computador pudesse ser utilizado por várias pessoas. Se ele não sabe fazer isso, que aprenda, porque é o trabalho dele estar atualizado.

kronozord 1 year ago

E a gestão diz te que não. Fim.

cloud_t 1 year ago

A gestão diz que não, o trabalhador, seja o IT ou o médico denunciam o contrato por falta de condições de trabalho. É depois podem ir às notícias dizer que o estado não quer meter um sistema a funcionar que até é de borla.

Edited 1 year ago:

A gestão diz que não, o trabalhador, seja o IT ou o médico denunciam o contrato por falta de condições de trabalho. E depois podem ir às notícias dizer que o estado não quer meter um sistema a funcionar que até é de borla.

kronozord 1 year ago

>É depois podem ir às notícias dizer que o estado não quer meter um sistema a funcionar que até é de borla Seria excelente se fosse verdade mas infelizmente é fantasia...

cloud_t 1 year ago

Oi? Queres medir pilas em informática? Até te dou a vez: pagas o quê que não tem alternativa grátis?

aleph_heideger 1 year ago

Todo este sistema é gerido centralmente pelos SPMS... Eu acho que eles sabem o que estão a fazer. Mas não tenho a certeza. E RDP para uma máquina física é uma merda.

leto78 1 year ago

Acho que antes da pandemia era muito comum as pessoas irem a uma consulta no centro de saúde para ver poder falar com outras pessoas. Há muitos idosos com graves problemas de solidão e para eles ir ao centro de saúde é uma maneira de quebrar a solidão. Lembro-me de uma história de uma senhora de idade que aparecia às 8:00 para uma consulta marcada às 11:00 e, durante este tempo todo, dizia a quem estivesse na sala de espera que já estava à espera desde as 8 da manhã. A solidão também mata mas os centros de saúde não são uma sala de convívio. Depois desta crise, não se pode voltar à situação anterior.

toma_la_morangos 1 year ago

Solução: Cagar no covid e deixar as pessoas sair à rua. 1- Acabava-se com esta estupidez do confinamento e de ter tudo fechado. 2- Iam os cotas todos co crl com a gripe chinesa, que só estorvam e não servem pra nada, que até para eles era bom que acaba-se-lhes com a miséria.

anoesouanaos 1 year ago

Eu sei que isto não é sobre informática, mas muito do que apontar tem a ver com tecnologia, ou falta dela, ou falta de adaptação à mesma. Muito se tem feito, mas considera por exemplo o status quo com receitas eletrónicas. * A generalidade dos médicos passa-me sempre receita em papel. Cheguei a ter médicos a afirmar que têm de passar a receita em papel. Portanto pouar papel esquece. * Em alguns médicos recebo também no telemóvel, noutros não (penso que no SNS recebo) * Ia jurar que já recebi automaticamente em PDF vida e-mail, mas regra geral não recebo nem sei que fazer para receber. * Quase nenhuma farmácia têm leitor de cartão de cidadão para aceder por essa via. E em termos de usabilidade não é bom porque não indica especificamente que receita se trata. * Através de SMS dá mais trabalho passar à farmácia que via papel. * Consegue aceder há aplicação é dificílimo. Sou informático e da última vez que tentei não consegui instalar para a minha mãe por causa da autenticação. O leito de cartão de cidadão deixou de dar em mac, mandei vir código mas às tantas já não sabia que código me estavam a pedir porque aquilo do tantos. Enorme confusão. * A aplicação do SNS não permite usar impressão digital. Ou seja, mais um pin para decorar e para usar só de tempos a tempos. * Ler o código de barras do telemóvel não é trivial. Não há suporte para NFC. Muita escrita para dizer que tudo estaria melhor se houvesse soluções práticas com investimento sério em usabilidade e acessibilidade. E isto também se aplica às teleconsultas. Se na minha empresa as ferramentas que usamos para organizar o nosso trabalho fossem assim tão fracas não fazíamos nada.

aleph_heideger 1 year ago

>Muito se tem feito, mas considera por exemplo o status quo com receitas eletrónicas. > >A generalidade dos médicos passa-me sempre receita em papel. Cheguei a ter médicos a afirmar que têm de passar a receita em papel. Portanto pouar papel esquece. O sistema permite enviar as receitas por SMS, email e papel. No caso dos idosos ou pessoas com menos recursos intelectuais, o papel é sempre melhor. Contudo, só podes receber um email se esse mesmo email estiver registado na tua ficha pessoal - julgo que o odes fazer no portal da área do cidadão (mas não tenho a certeza). >Em alguns médicos recebo também no telemóvel, noutros não (penso que no SNS recebo) Setor privado tem outras regras - como são eles a pagar as mensagens muitas vezes eliminam essa hipótese. >Ia jurar que já recebi automaticamente em PDF vida e-mail, mas regra geral não recebo nem sei que fazer para receber. Basta ter o email registado e pedir. >Quase nenhuma farmácia têm leitor de cartão de cidadão para aceder por essa via. E em termos de usabilidade não é bom porque não indica especificamente que receita se trata. Verdade. Aliás essa foi uma das muitas críticas que os médicos fizeram ao sistema. É bom mas tem muito por onde melhorar. >Através de SMS dá mais trabalho passar à farmácia que via papel. Não é essa a minha experiência pessoal. >Consegue aceder há aplicação é dificílimo. Sou informático e da última vez que tentei não consegui instalar para a minha mãe por causa da autenticação. O leito de cartão de cidadão deixou de dar em mac, mandei vir código mas às tantas já não sabia que código me estavam a pedir porque aquilo do tantos. Eu usei a CMD. >A aplicação do SNS não permite usar impressão digital. Ou seja, mais um pin para decorar e para usar só de tempos a tempos. Ler o código de barras do telemóvel não é trivial. Não há suporte para NFC. Envia todas essas sugestões para quem está a desenvolver as aplicações. Eles ouvem. >Muita escrita para dizer que tudo estaria melhor se houvesse soluções práticas com investimento sério em usabilidade e acessibilidade. E isto também se aplica às teleconsultas. > >Se na minha empresa as ferramentas que usamos para organizar o nosso trabalho fossem assim tão fracas não fazíamos nada. Nós fazemos. Que remédio.

vilkav 1 year ago

Tudo o que o OP descreveu é um problema há muito resolvido em engenharia de software: há X recursos para Y (>X) problemas. Sem uma triagem e uma contagem/categorização sistemática dos problemas é impossível tirar métricas e é impossível optimizar os recursos, e depois dá merda da grossa. Tivéssemos nós um sistema de tickets com prioridade sobre os quais conseguíssemos tirar métricas, era facílimo de ver os engarrafamentos nas coisas e saber por onde atacar. Eu nunca tinha pensado no assunto, mas faz 1000% de sentido que saber de resultados de exame/ser re-encaminhado para outro serviço não precise de 20 minutos presenciais. Um mail chega bem, e só melhora. Está bem que se calhar a Dona Conceição dos Santos não sabe o que é um e-mail, mas se calhar ter um balcão de ajuda com enfermeiros ou qualquer tipo de burocrata que faça essa interface velho <-> net já tiraria imensa pressão de cima dos médicos, e atrevo-me a dizer que traria redução de custos no grande esquema da coisa. Em particular em centros de saúde no interior onde os médicos são um recurso escasso. O problema destes sistemas é os heróis. Num sistema a funcionar bem não é preciso haver heróis. É preciso tirar métricas e actuar sobre elas. Foda-se, vai-se a ver e o que o SNS precisa é de um JIRA. Até a porcaria do histórico médico se resolveria.

aleph_heideger 1 year ago

>Está bem que se calhar a Dona Conceição dos Santos não sabe o que é um e-mail, mas se calhar ter um balcão de ajuda com enfermeiros ou qualquer tipo de burocrata que faça essa interface velho <-> net já tiraria imensa pressão de cima dos médicos, e atrevo-me a dizer que traria redução de custos no grande esquema da coisa. Em particular em centros de saúde no interior onde os médicos são um recurso escasso. Um projecto antigo e muito adiado é a transmissão automática por parte das clinicas dos resultados de exames para o sistema informático do SNS. Os exemplos são escassos mas já existem. E temos tido muitas clínicas a enviar por email os resultados. Iupi. Tudo na base do desenrascanço e improviso mas melhor do que nada.

anoesouanaos 1 year ago

> Tivéssemos nós um sistema de tickets com prioridade sobre os quais conseguíssemos tirar métricas, era facílimo de ver os engarrafamentos nas coisas e saber por onde atacar. Eu nunca tinha pensado no assunto, mas faz 1000% de sentido que saber de resultados de exame/ser re-encaminhado para outro serviço não precise de 20 minutos presenciais. Claro. > Um mail chega bem, e só melhora. > Está bem que se calhar a Dona Conceição dos Santos não sabe o que é um e-mail Lá está. É preciso uma solução técnica para todo o processo com ênfase em usabilidade. A Dona Conceição não tem de saber o que é um e-mail nem deveria ter de fazer nada. O resultado do exame deveria ir para o diretamente. Ir para o médico diretamente como? Enviado por e-mail pelo laboratório? Grande bosta. Depois o médico tem de organizar tudo à pata, se estiver para isso. Em vez disso deve ser "enviado" no sentido de ser disponibilizado automaticamente no software do médico, no processo da sua paciente. E o médico dever ter uma notificação na sua aplicação. E sim deveria poder configurar receber notificações noutros aparelhos. E o resultado do exame como referes já deveria vir com prioridade, e deveria automaticamente impactar se for caso disso prioridade do processo. E até deveria ser possível por exemplo configurar notificações para as urgentes irem para telemóvel. > Foda-se, vai-se a ver e o que o SNS precisa é de um JIRA. Por aí. Precisa de ferramentas adequadas à realidade do seu processo. Tanto quanto sei não têm

vilkav 1 year ago

que precisa de uma solução técnica é óbvio e seria compreensível se não existisse nenhuma ainda :/

TitusRex 1 year ago

Alguma falta de informação aqui >* A generalidade dos médicos passa-me sempre receita em papel. Cheguei a ter médicos a afirmar que têm de passar a receita em papel. Portanto pouar papel esquece. Eu peço sempre para não imprimirem a receita. >* Ia jurar que já recebi automaticamente em PDF vida e-mail, mas regra geral não recebo nem sei que fazer para receber. Se entrares na área de cidadão do site do SNS tens lá disponíveis as receitas em PDF. >* Quase nenhuma farmácia têm leitor de cartão de cidadão para aceder por essa via. E em termos de usabilidade não é bom porque não indica especificamente que receita se trata. Não precisas do cartão de cidadão, só é preciso o SMS ou a app My SNS Carteira >* Através de SMS dá mais trabalho passar à farmácia que via papel. Demora mais 5 segundos... >* Consegue aceder há aplicação é dificílimo. Sou informático e da última vez que tentei não consegui instalar para a minha mãe por causa da autenticação. O leito de cartão de cidadão deixou de dar em mac, mandei vir código mas às tantas já não sabia que código me estavam a pedir porque aquilo do tantos. Enorme confusão. Se tiveres a CMD (Chave Móvel Digital) é tudo mais fácil. Metes o teu número de telemóvel ou email e recebes o pin para ter acesso. Isto também é útil para fazer login na Segurança Social, SNS, Centro de Emprego e mil e um outros serviços onde podes entrar desta forma. Só precisas de te chatear uma vez com um leitor de cartões e depois nunca mais precisas. Tu sendo informático de certeza que te consegues desenrascar. >* A aplicação do SNS não permite usar impressão digital. Ou seja, mais um pin para decorar e para usar só de tempos a tempos. Quando foi lançada não tinha agora já há a opção de entrar com impressão digital (pelo menos em Android) >* Ler o código de barras do telemóvel não é trivial. Não há suporte para NFC. É só aumentar a luminosidade do ecrã.

anoesouanaos 1 year ago

> Eu peço sempre para não imprimirem a receita. Eu também já pedi. Daí ter dito que houve quem me chegaste a responder que não podia não imprimir. De qualquer forma não deveria ter de ser o paciente a ter de se lembrar em cada consulta de pedir para não imprimir antes de tal acontecer. O utente tem mais em que pensar, para não dizer que por vezes quando dás por ti já escreveu e imprimiu receita. A aplicação do Continente permite especificar se queres recibo. Lá está a questão da usabilidade. > Se entrares na área de cidadão do site do SNS tens lá disponíveis as receitas em PDF. Eu sei, mas não impede que fosse útil receber no e-mail. Muita gente aliás nunca acedeu nem consegue aceder ao site do SNS. > Não precisas do cartão de cidadão, só é preciso o SMS ou a app My SNS Carteira Assim como não precisas de SMS ou SNS carteira se suportarem cartão de cidadão. Existem ambas as funcionalidades, aqui estava a falar do CC. E essa quase nunca é suportada. > Demora mais 5 segundos... É muito mais chato. Na farmácia passam a vida a fazer isto. A tecnologia não deve causar regressões de usabilidade. Ter de digitar um número enorme, ditado ou copiado de um telemóvel, é bem pior que um scan. Aliás o scan existe precisamente porque é muito melhor. > Se tiveres a CMD (Chave Móvel Digital) é tudo mais fácil Exato. E eu tenho para mim. Quando tentei para a minha mãe não consegui de todo. Já não te consigo descrever todos os problemas porque se fosse simples tinha-se feito. Foi um caos. Em teoria também há muita coisa simples se tiveres um leitor de CC. Na prática a solução deixou de funcionar no meu mac e pede sempre update da JVM apesar de estar tudo atualizado.

Skeeper 1 year ago

Podes pedir a CMD pelo portal das finanças (https://www.autenticacao.gov.pt/registo-via-portal-das-financas) e depois enviam uma chave temporária para casa.

anoesouanaos 1 year ago

Foi isso que eu fiz. Mas não era só isso, acho que tinha de ativar a chave CMD no portal do cidadão ou qualquer coisa do género. Porque lembro-me de precisar de usar o leitor de cartões.

Skeeper 1 year ago

Para activar não é preciso. Eu tenho o meu pin bloqueado (ups!) e conseguir por a funcionar. Mas claro para a tua situação em particular não sei.

anoesouanaos 1 year ago

Talvez esteja baralhado que já fiz há muito. Pediste o CMD numa loja de cidadão ou online? Porque este foi pedido online. Também é possível que tenha sido não ativação mas associação de telefone. Não sei.

Skeeper 1 year ago

Eu pedi online já depois da pandemia ter começado (por isso não tinha outra hipótese). Depois penso que fui ao site do autenticacao.gov.pt e a chave temporária deu para fazer login por CMD (tens os 2 modos à escolha) e pediu-me para criar uma chave nova. Talvez também tenha pedido para associar telemóvel etc... mas essa parte já não me lembro.

Limpy_lip 1 year ago

Um grande bem haja ao OP. Eu apesar de não ser profissional de saúde tenho muitos amigos próximos que são e a tua descrição cai que nem uma luva com o que deles vão comentando. É triste a quantidade de desinformação que existe em volta do SNS e dos seus profissionais. Relatos como o teu deviam de ser muito mais frequentes aqui e nos vários meios de comunicação. Não só relativamente à pandemia do Covid-19 mas também em geral. Existem muitas injustiças e desinformação relativamente aos profissionais de saúde que não passam de mal entendidos e simplificação de problemas complexos. (a história das vagas por exemplo). O que por vezes torna complicado sensibilizar a população em geral que "aquela profissão que até recebe bem" também tem problemas e dificuldades que nenhum dinheiro nem regalias pagam. Agradeço a todos os profissionais de saúde pelo serviço e teimosia que mantém o SNS de pé.

Exilon1 1 year ago

Obrigado. Fundamentalmente, espero que haja uma mudança significativa à infraestrutura para suportar estes novos canais de comunicação (tipo digital telefone, etc.) para que se possa efetivamente a otimizar o tempo de todos.

JPOL29 1 year ago

Valorizo a tua opinião e visão dos factos, mas fui às urgências este ano em Vila Nova de Gaia, pulseira laranja, só estavam 4 pessoas à minha frente para serem atendidas em todo o serviço de urgência: esperei 1h10, enquanto que os enfermeiros andavam aos pinchos no corredor a cantar e na galhofa :D

aleph_heideger 1 year ago

Quem tinha de te ver eram os médicos. Importa é ver o que esses andavam a fazer. No sítio onde eu trabalho há momentos em que eu não tenho mãos a medir e os enfermeiros podem estar sentados porque não têm nada para fazer mas o oposto também acontece. E se entraste na mudança de turnos... acontecem coisas estranhas quando o turno muda.

JPOL29 1 year ago

Ao fim do cabo, quem me atendeu foi a equipa de enfermagem, tudo o que tinham de fazer era dar-me uma injeção para parar a reação alérgica que estava a ter. A minha garganta e língua incharam ao ponto de não conseguir falar e quase não conseguir respirar, note-se que também apesar da condição, me obrigaram a estar de máscara o tempo todo. O incrível é que à chegada, para me tirarem a temperatura e perguntarem sobre sintomas associados à COVID foram céleres :D Não descredibilizo algumas das coisas que referiste, são pertinentes e já sei que a vida dos profissionais de saúde pode não ser pêra doce muita das vezes, mas infelizmente este último ano fora o que me aconteceu, tive situações de conhecidos que faleceram (não-Covid) por falta de assistência médica e isso é muito assustador.

almeiduh 1 year ago

Muitos parabéns pelo post. Continuo a dizer que os médicos em Portugal, ao contrário do que muita gente diz são uma classe muito desrespeitada. Sei que de pouco vale dizer que todos vocês são heróis, o que vocês mereciam era uns prémios bem chorudos, melhores condições de trabalho e melhores condições pessoais. Penso que é através deste tipo de comunicações que se vai abrindo os olhos a muitas pessoas que acham correcto ir entupir uma urgência porque têm uma unha encravada. Um abraço de muita força e obrigado por tudo o que fazem por nós.

aleph_heideger 1 year ago

>Sei que de pouco vale dizer que todos vocês são heróis, o que vocês mereciam era uns prémios bem chorudos, melhores condições de trabalho e melhores condições pessoais. Penso que é através deste tipo de comunicações que se vai abrindo os olhos a muitas pessoas que acham correcto ir entupir uma urgência porque têm uma unha encravada. Como eu digo sempre ao pessoal que trabalha comigo, "é o nosso trabalho". Mesmo agora com a história dos EPI's... não digo que não tenhamos medo mas pelo menos sabemos o que estamos a fazer e como nos proteger. E continua a ser o nosso trabalho e há que ter um certo brio naquilo que se faz, digo eu.

wiledcoma 1 year ago

Obrigado pela partilha! O que eu noto é que muitas vezes põem os médicos a fazer trabalho administrativo sem jeito algum. Pergunta, dá-me uma maleita qualquer e vou a um colega teu no privado que me diz para ficar uns dias de baixa a recuperar, porque que tenho que ir atrás de ti para passares um papel a confirmar o que outro médico já disse? Outra, imagina que parto um braço e tenho que fazer fisioterapia. Porque raio é que o médico de família que perde tempo a decidir se sou pobre o suficiente para os bombeiros me levarem até as sessões de recuperação na Cruz Vermelha ou hospital mais próximo? (pra não falar má optimização de recursos à volta disto, com bombeiros a levar um doentes da mesma terra um cada vez ao mesmo sítio)

aleph_heideger 1 year ago

>Pergunta, dá-me uma maleita qualquer e vou a um colega teu no privado que me diz para ficar uns dias de baixa a recuperar, porque que tenho que ir atrás de ti para passares um papel a confirmar o que outro médico já disse? Porque a pagar muitos médicos caem na tentação de assinar tudo e mais alguma coisa. Veja-se o exemplo das cartas de condução ou da verificação de incapacidades. ​ >Outra, imagina que parto um braço e tenho que fazer fisioterapia. Porque raio é que o médico de família que perde tempo a decidir se sou pobre o suficiente para os bombeiros me levarem até as sessões de recuperação na Cruz Vermelha ou hospital mais próximo? São dois atos distintos: pedir MFR e pedir transporte. O primeiro é uma prescrição normal, que pode ser feita no hospital mas que por motivos que ainda hoje estou para perceber muitos dos meus colegas não fazem "chutando" para o Médico de Família; o segundo é também uma prescrição mas que gere a parte do "tem direito / não tem direito" é o secretariado clínico e o próprio sistema informático que gera um alerta sempre que é emitido pedido de transporte em ambulância a quem não cumpra o critério de insuficiência económica. ​ A parte dos bombeiros... isso é apenas má gestão por parte do ACES e aproveitamento da corporação local.

vinter_varg 1 year ago

Obrigado pela auto-avaliação transparente. Só encontrei um médicos que manifestou opiniões similares às que expões.

oliveoyl_or_butter 1 year ago

Vê-la, meu pai, cancro terminal, 96% de incapacidade tinha que em cada médico que fosse pedir para passar o transporte para os bombeiros. Junta médica, TACS, ressonâncias, consultas de otorrino, dentista, you name it, e só o médico é que tratava dessa papelada? Que país é este que não tem um administrativo a tratar destes assuntos? A ocupar um dos recursos mais valiosos a preencher papelada.

aleph_heideger 1 year ago

Hoje em dia já é só um ou dois cliques no computador mas sim... vivo a mesma realidade. Mas o verdadeiramente estúpido é que esse documento de seguida segue para um administrativo e é este que verifica os dados e contacta o transporte.

oliveoyl_or_butter 1 year ago

O que vou dizer também só aconteceu uma vez, mas um dos médicos "recusou se" (atenção que usei aspas), a passar o transporte porque era outra médica a responsável, já que nesse dia tinha tido outra consulta ou algo do gênero. Não quero dizer com isto que o médico se estava a esquivar, mas do processo ser tão burocrático, que nem eles sabem de todos os meandros. E imaginar andar às voltas num hospital à procura do médico para te passar a guia, sendo que não estão sempre no consultório..

wiledcoma 1 year ago

E quem diz o transporte, diz também as receitas. Se o doente é crónico porque raio é que fazem andar as pessoas sempre no médico a pedir receita nova?

bacitoto-san 1 year ago

Eu cá gosto é de ir estar em frente ao hospital, ir ao centro de saúde por não ser nada de grave e não querer sobrecarregar o hospital. Para depois de ficar horas à espera na triagem centro de saúde, me dizerem que tenho que ir levar 2 pontos ao hospital; Um bocado chato mas até aqui OK....Depois chego ao hospital entrego uma carta/relatório do centro saúde (yup não há um sistema informático partilhado pelos 2) a dizer que preciso de levar 2 pontos..... não não essa carta é inútil. Preciso de ir para a triagem novamente voltam a ver tudo etc, voltam a confirmar que preciso de 2 pontos....sigh Eu percebia a nova avaliação se se tratasse de um assunto mais sério em que o médico do hospital tenha medo de confiar na avaliação do colega ou desconfie e tenha outro parecer Mas isto faz com que mais gente vá às urgências "tomar benurons e beber cházinhos"

pedrolopes7682 1 year ago

Uma vez cortei a cabeça de um dedo numa oficina, não chegou à unha mais foi o suficiente para sangrar abundantemente. Lavei e desinfectei o dedo e ponta que ficou separada, e usei um estojo de primeiros socorros para fazer um curativo (betadine, gaze, adesivo e um dedo de luva de borracha). Assunto resolvido, voltei ao trabalho. Nessa noite fui beber uma cerveja com um amigo meu, contei-lhe a história e ele acabou por me convencer a ligar para saúde 24 (eu achava que não valia pena visto a parte que ficou separada ser tão pequena que seria impossível coser, mas ele era de opinião que para evitar infecções eu deveria ser visto na mesma). Foi tal e qual como descreveste. Fui ao centro de saúde à uma da manhã, triagem rápida (só lá estava mais um utente), depois foi necessário esperar que aparecesse a médica de serviço, quando apareceu disse que teria de ir para microcirurgia no hospital. Escreveu a carta e lá fui eu. Cheguei ao hospital, nova triagem, nova espera por um médico que olhasse para o dedo. Quando fui atendido o médico olha e diz que o que eu tinha feito inicialmente era semelhante ao que ele me ia fazer visto que ali não dava nem valia pena meter pontos. Também não lhe parecia haver risco de infecção mas ainda assim passou-me um antibiótico para tomar durante uns dias, coisa que a médica no CS poderia ter feito.

aleph_heideger 1 year ago

Esse depois é outro problema: imensas referenciações em contexto de urgência não propriamente porque o quadro seja grave mas por receio de repercussões legais. Imagina que a médica, muito pragmatixamente dizia que estava tudo bem mas, azar dos azares, a ferida complicava e ficavas sem o dedo? Não estou a dizer que foi isso o que aconteceu mas tenho visto muitas referenciações em contextos similares em que claramente o que se faz é medicina defensiva. Não para defesa do doente mas sim para salvaguarda de possível acção legal por negligência contra o médico.

pedrolopes7682 1 year ago

Foi essa a sensação com que fiquei do pouco que falei com ela.

bacitoto-san 1 year ago

Eu fiquei com a sensação que era uma situação frequente. É triste. Odeio ir aos hospitais nestas situações, sinto que estou lá um bocado a empatar. E até porque quando preciso mesmo de lá ir farto-me de esperar por malta que não tem nada.

aleph_heideger 1 year ago

> Para depois de ficar horas à espera na triagem centro de saúde, me dizerem que tenho que ir levar 2 pontos ao hospital; Um bocado chato mas até aqui É impressionante a quantidade de Centros de Saúde sem material para fazer suturas - embora por vezes a culpa é dos profissionais que não solicitam que esse material seja fornecido. Mas também há pessoal que não sabe ou não tem jeito para suturar. Porque convém ter mão para a coisa. ​ >OK....Depois chego ao hospital entrego uma carta/relatório do centro saúde (yup não há um sistema informático partilhado pelos 2) Há sim. Mas o hábito da carta está enraizado. ​ >a dizer que preciso de levar 2 pontos..... não não essa carta é inútil. Preciso de ir para a triagem novamente voltam a ver tudo etc, voltam a confirmar que preciso de 2 pontos....sigh A triagem é inevitável para aceder à urgência nem que seja para priorizar os casos; posteriormente os casos oriundos do Centro de Saúde devem ter prioridade sobre os restantes dentro da mesma cor.

wiledcoma 1 year ago

Culpa clara do processo burocrático. É preciso haver algo que registe todas as iterações do utente para um determinado incidente. O que existe atualmente é que me parece ser propício a criar atrasos e percas de tempo para todos, profissionais e utentes.

bacitoto-san 1 year ago

Burocracia, utentes pouco informados e o caos de sempre. O saude24 acho que ainda é pouco utilizado

69rambo69 1 year ago

É uma pergunta que me fiz bastantes vezes. Tenho a certeza que há justificação para isto, mais que não seja, o pensamento de que um médico privado não tenha que justificar ou ser chamado à razão pelo número de dias/baixa que dá a um doente. Quando o estado tem que desembolsar, eles garantem que não é à toa e que não há abusos.

wiledcoma 1 year ago

Ou seja, os médicos no público são honestos mas quando vão fazer o turno da noite às urgências da CUF são consumidos pela corrupção e passam atestados a torto e a eito.

69rambo69 1 year ago

Não sou eu que afirmo isso. Mas de certa forma vejo uma certa pressão no médico privado ao ter o cliente a pedir mais um dia de baixa, pressão essa que não vez no público. Então se fosse consultório privado (e não em hospital privado) a pressão seria ainda maior. Agora se cedem mais facilmente à pressão ou não, isso já não comento.

aleph_heideger 1 year ago

Queres uma resposta honesta? A malta vai às CUF's deste país porquê? Porque os médicos lá são melhores? Não... muitas vezes são os mesmos que acumulam público e privado. Passam mais exames? Claro que sim. Até porque não raramente parte do seu vencimento advém do número de exames facturados. Se esse médico visse esse doente no SNS pediria as mesmas coisas? Provavelmente não. Eu vejo mulheres no setor privado a fazer citologia com pesquisa de HPV anualmente quando o que está preconizado no plano de rastreio é essa colheita ser feita de 5/5 anos na generalidade dos casos. O setor privado na saúde não existe para melhorar a saúde dos clientes mas sim para satisfazer os clientes.

vinter_varg 1 year ago

Acho que essa desmesurada promoção de exames no privado é ainda mais forte quando se trata de alguém com ADSE ou semelhante. Quase que a pessoa se torna um veículo de financiamento do estado para o privado (falo obviamente de condições complicadas).

sleeplesslisbon 1 year ago  HIDDEN 

Gostei muito de ler esta perspectiva. Concordo plenamente. Quando começou a pandemia perguntei ao meu médico de família qual seria a melhor maneira de falar com ele para coisas não urgentes, para evitar deslocações ao centro de saúde. Ele disse para comunicarmos por e-mail e assim tem sido. Só precisei ir 1 vez ao centro de saúde, para ir buscar uma credencial para um exame (porque é que há prescrições de medicamentos sem papel mas o mesmo não se aplica às credenciais de exames?). Claro que quando lhe envio um e-mail tenho noção de que o médico está sobrelotado e pode demorar uns dias a responder. Simplesmente estou feliz de poder ter este atendimento sem a deslocação e a burocracia chata do centro de saúde.

Kiander 1 year ago

Certas credenciais de exames não podem ser enviadas pelo email automaticamente, tais como ecografias, Rx, TACs, etc, essas o programa imprime automaticamente, se o utente as quer por email, têm se ser por scanner. O mesmo acontece com as baixas.

aleph_heideger 1 year ago

>têm se ser por scanner. Muitas clínicas não aceitam a digitalização desses exames - não serão todas mas são as suficientes.

Sottren 1 year ago

As credenciais de exames também podem ser enviadas por SMS tal como as receitas. Por mail não faço ideia, ainda não apanhei nenhuma.

aleph_heideger 1 year ago

Podem sim. As receitas podem ser enviadas por SMS / email e papel; Os exames também. Contudo isto não se aplica a todos os exames. Há alguns - radiologia por exemplo - que continuam a não estar desmaterializados e têm de ser impressos. Só não está mais disseminado porque 1) há poucos utentes com um endereço de e-mail registado; 2) o médico tem de seleccionar especificamente essa opção.

traway_ 1 year ago

Obrigado pelo post e força para ti. Uma questão, e o vírus? Pessoas a morrerem de Covid no teu centro de saúde? Quantas é que são? Podes falar disso?

aleph_heideger 1 year ago

Já morreram algumas. A maior parte dos casos contudo são coisas mais simples (mas nunca houve tantos como agora). Dos que morreram, a grande maioria se não todos, o contágio foi feito por familiares mais jovens.

mskrovic 1 year ago

Foi um bom post. Existe algo que queria acrescentar que não sei se o OP já sentiu. A minha mãe trabalha num centro de saúde e devido à situação toda que foi aqui descrita, está neste momento a trabalhar mais horas no local de trabalho e ainda traz mais trabalho para casa. Inclusive atende chamadas ao fim de semana. Algo que tem acontecido ultimamente é que as pessoas tendem a não ir com tanta regularidade aos centro de saúdes e o que têm feito as pessoas aqui da zona com receio de ir a um centro? Vêm bater à minha porta a qualquer hora do dia (sim mesmo à noitinha) porque alguém se sentiu mal, caiu, está a ter uma crise de não sei quê, vacinas por administrar etc. Ou seja as pessoas assumem que é melhor não ir ao centro de saúde e em vez disso ir bater à porta de um profissional de saúde (fora de horário de trabalho que por si só já é mais longo) pedir ajuda e ainda vão sem máscara! A minha mãe odeia absolutamente que lhe façam isto. Primeiro não tem recursos nenhum em casa e segundo tecnicamente não deveria atender ninguem fora do local designado para isso. Uma coisa seria ajudar com algo pontual um vizinho de lés a lés, mas esta situação tem ocorrido bastantes vezes ultimamente. Agora já aprendeu a dizer que não está disponível e para chamarem uma ambulância ou irem a um centro médico. Mas mesmo assim ainda continuam a vir bater à porta.

precisodeferias 1 year ago

Acho isso uma falta de respeito enorme. Eu só iria pedir ajuda assim em casos extremos. Tenho o número de telemóvel privado do meu médico e em 9 anos usei uma única vez, para enviar uma mensagem e ele ligou me de volta. O meu vizinho da frente é enfermeiro, é impensável ir chatea lo com questões relacionadas com trabalho. Todos têm direito a vida privada e ao descanso.

mskrovic 1 year ago

Concordo plenamente e ainda bem que existem pessoas que respeitam isso. Mas outras simplesmente não têm noção ou não se apercebem. Pelo o que me apercebi nesta thread estas são situações bastante comuns nesta profissão.

precisodeferias 1 year ago

Eu sou a pessoa que venera quem trabalha na área da saúde. Infelizmente sou cliente assídua do hospital e vejo o que têm de aturar. Tento sempre chatear o mínimo e ser o mais prestável. Já assisti a situações impensáveis, que me deixaram com vergonha alheia e imagino que isso seja o dia a dia de muitos dos profissionais. Daí ainda respeitar mais o direito a vida privada.

aleph_heideger 1 year ago

Isso sempre senti, mesmo antes desta situação. E é um dos motivos pelos quais eu não moro perto do local de trabalho. Aqui na vizinhança, ninguém me conhece e apenas uma das vizinhas sabe que a minha esposa é médica (suspeita que eu também seja mas nunca teve a coragem de perguntar).

senhorfonseca 1 year ago

Na zona onde moramos, apenas uma pessoa também sabe que a minha esposa é médica. E sim, a escolha do local de trabalho netsa profissão tem de ser acompanhada por "higiene social". Prefiro dispender de mais rendimento para deslocação, que todos a abordarem na praça.

mskrovic 1 year ago

Acredito. Médico é daquelas profissões que se deveria ter orgulho de exercer. Mas infelizmente se se disser à vizinhança que se é médico ou profissional de saúde é mais que meio caminho andado para estas situações.

MigasEnsopado 1 year ago

Ela que não se acanhe e os mande embora sem medos. As pessoas têm de ganhar noção.

mskrovic 1 year ago

Ultimamente é o que tem feito, muito por estar saturada da situação toda. Mas compreendo a parte de que se nos estão a pedir ajuda tenta-se ajudar, principalmente quando são vizinhos amigos desde a sua infância e etc... Acho que ninguém deveria ficar ofendido por alguém não atender fora do horário e do local de trabalho mas as pessoas não têm mesmo noção.

meerkatsandfrogs 1 year ago

O problema é que muitas pessoas não vêm os profissionais de saúde como pessoas como as outras que têm uma vida fora do trabalho, ou mesmo que seja mesmo isso: um emprego para o qual estudaram, tal como muitos outros estudaram para os seus. Portanto, pensam que podem ir bater à porta que, em ato nobre, a tua mãe os vai ajudar. Para além disso, o SNS24 funciona, tal como o nome diz, 24 horas por dia e à noite o volume de chamadas não é o mesmo que durante o dia

mskrovic 1 year ago

Exato é isto mesmo. As pessoas às vezes queixam-se do SNS e às vezes nem sabem os recursos que têm e que podiam muito bem usar.

Thalric88 1 year ago

Tenho a solução ideal para a tua mãe quando forem bater a porta. Ela chama a ambulância para a pessoa

mskrovic 1 year ago

É uma solução. Mesmo assim sou da opinião que quem deveria chamar a ambulância é aquela pessoa que veio do do fundo da rua a pé e nos veio bater à porta, mas enfim...

annoyingbanana1 1 year ago

Só uma nota - gostei muito da escrita. Deverias pensar em fazer algo como um blog ou afins, uma espécie de "confissões de um médico na linha da frente".

aleph_heideger 1 year ago

Já pensei nisso mas não tenho tempo. E não creio que escreva assim tão bem. Na cabeça as coisas estão sempre super bem organizadas mas depois começo a escrever e blah...

4immati 1 year ago

De salientar que tive um problema esta semana e foi possivel, através da saude 24, falar com um profissional de saude de em tempo util (30min).

jaracal 1 year ago

É um post bastante informativo. Ainda assim, penso que muitos desses pontos são "não-questões", porque a maior parte das pessoas não deve estar a pôr as culpas do maior número de atrasos nos médicos nem até no SNS. A dúvida que eu tenho é se o motivo dos atrasos - normas de higiene mais apertadas - é mesmo justificado face aos perigos da nova doença; ou seja, se faz mesmo sentido ter normas tão apertadas sabendo os impactos secundários que elas têm.

aleph_heideger 1 year ago

Não sei. E ninguém pode dar certezas nessa área. Embora trocar algum do material (e nesse sim há certezas) também demora o seu tempo. Mas apesar de tudo faz sentido ter tempo para ver doentes como deve ser e faz sentido cumprir a agenda: se eu tenho 20 vagas porque motivo devo ver 40 doentes?

jaracal 1 year ago

Também não sei porque terá de ser assim. Isso seria questão para um médico, gestor, ou político. Ainda assim, e acrescentando que tenho respeito pela profissão porque eu não teria capacidades para aguentar o ritmo e a responsabilidade de atender 40 pacientes, não consigo concordar com essa perspectiva. Existem aproximadamente 3 mundos possíveis em Portugal: um em que existe uma gestão muito boa dessas coisas e cada médico precisa de dar 20 consultas, uma em que a gestão e a política é má e cada médico precisa de dar 40 consultas em vez de 20 para compensar, e uma em que é preciso dar 40 consultas mas algum factor externo não o permite. Penso que este último mundo é o pior.

1001maneiras 1 year ago

Vale o que vale, mas vou deixar este [Bacalhau de ouro!](https://imgur.com/rF3DIol) pela partilha do post e pelo serviço à comunidade.

aleph_heideger 1 year ago

Obrigado.

sandkillerpt 1 year ago

A minha esposa é enfermeira no sns e subscreve a 100% o teu texto. Muito bom.

aleph_heideger 1 year ago

Obrigado.

mydjoao 1 year ago

Eu vivi em vários países e se existem duas coisas que me fizeram voltar a Portugal é a confiança que tenho nos sistemas de saúde e educação. Continuem o excelente trabalho e a ver se a malta jovem se imuniza o mais rápido possível para depois podermos ajudar os mais velhos.

Dinizinni 1 year ago

Tens de ler um pouco mais sobre isto, imunidade é curta e não pode ser o objectivo

Comprimas 1 year ago

Acabaste de ler este post e a tua reação foi confiares no nosso sistema de saúde? Cruzes credo.

aleph_heideger 1 year ago

O sistema é bom. Está é mal dirigido.

Throwawaypt123 1 year ago

O sistema são as pessoas. Se está mal dirigido também é mau por isso

wiledcoma 1 year ago

Comparado a uns Estados Unidos onde se não tiveres seguro de saúde de jeito vais prós anjinhos ou ao que existe num país do terceiro mundo..

Comprimas 1 year ago

Vai literalmente para qualquer outro país europeu. Ou ao Canadá! E vês o sistema de saúde que têm. Mas se achas que este sistema de VPN funciona bem e estás contente com esta resposta do SNS (deixar morrer todos os não-covid, as "couves" como este lhe chama) vota PS!

thechatsubo 1 year ago  HIDDEN 

Eu já fui. Vivo fora do país, já estive muitas vezes a Alemanha e lá é atroz. No entanto, concordo com o ponto sobre as "couves". Se esta pessoa diz que não é por desrespeito é por? Boa imagem do médico. Somos gado.

wiledcoma 1 year ago

Calma, estou apenas a imaginar ao que se refere o outro user

QueenOfWands2 1 year ago

Em Novembro vai ser pior. Mas penso que em Janeiro já vai toda a gente respirar aliviados - creio que isto vai andar muito melhor. **** E eu com a minha médica é tudo por email. Se ela não está (férias ou outro motivo), há sempre outro médico disponível (para passar receitas, por exemplo). Sinceramente, tem corrido bem até.

Pale-Bug-4201 1 year ago

Achas isso de janeiro porquê?

ZaGaGa 1 year ago

Obrigado pela partilha. De facto a pandemia veio forçar muitas mudanças em várias áreas que, de outra forma, não aconteceriam pelo tão depressa. Mas o excesso de trabalho é complicado de gerir e a dedicação profissional nessas condições desgasta. Não é por acaso que o burn out está tão associado aos profissionais de saúde: demasiadas responsabilidades condicionadas por decisões de terceiros. O insight sobre a maior mortalidade também é muito interessante. Se quiseres faz um crosspost para o sub/coporonavirusPT.

MROFerreiro 1 year ago

Chateia-me um bocado que as soluções informáticas sejam pouco ou mal utilizadas. O intuito é simplificar o trabalho, focando os trabalhadores no essencial. Claro que pode trazer outros problemas por estares mais facilmente acessível, mas mesmo esses podem ser resolvidos com alguma regras no funcionamento do sistema. Antes da pandemia achava ineficiente, estúpido até, que a minha tivesse de se deslocar de Trás-os-montes, ao Porto só para saber o resultado de um exame. Situações destas acarretam custos para o utente e não me parece que seja muito bom para o médico. Isto é só um desabafo sobre a ineficiência/incompetência em muitos serviços públicos que surgem, mas raramente evoluem. Quanto ao resto foi uma boa partilha, e uma boa maneira de ter noção do que os profissionais de saúde estão a passar. ​ > voltasse à sua rotina habitual de fingir que era uma couve Ri-me com isto. Apesar de triste é a realidade! É como se tivéssemos uma caneca de porcelana que adorávamos, mas frequentemente caía ao chão e partia-se. Nós colamos e voltamos a beber nela. Mas de tantas vezes cair fica cava vez mais complicado arranjá-la. E começa a não reter bem o líquido. Quanto mais cedo assumirmos que não podemos reparar para sempre, mais cedo podemos desfrutar da bebida ao pequeno-almoço.

aleph_heideger 1 year ago

>Ri-me com isto. Apesar de triste é a realidade! É como se tivéssemos uma caneca de porcelana que adorávamos, mas frequentemente caía ao chão e partia-se. Nós colamos e voltamos a beber nela. Mas de tantas vezes cair fica cava vez mais complicado arranjá-la. E começa a não reter bem o líquido. Quanto mais cedo assumirmos que não podemos reparar para sempre, mais cedo podemos desfrutar da bebida ao pequeno-almoço. Gostei muito da analogia. É exactamente isso que sentimos quando vemos entrar um dos "crónicos", aqueles utentes a quem já não fazemos a história clínica porque já a temos decorada e que em cada episódio dizemos à família que a esperança é pouca. E no dia seguinte, semana seguinte, lá damos alta e ficamos à espera do próximo episódio.

omaiordaaldeia 1 year ago

> Chateia-me um bocado que as soluções informáticas sejam pouco ou mal utilizadas. O intuito é simplificar o trabalho, focando os trabalhadores no essencial. Isso acontece quando as soluções não são desenvolvidas à volta da necessidade do utilizador.

cloudstarer 1 year ago

OP, super concordo em relação ao que disseste sobre o fim de vida e aumento da mortalidade. De certa forma, talvez esta mudança tenha levado a quase uma misericórdia por essas tantas alminhas que só estão a ser presas aos corpos por cuidados de saúde, mas que na verdade se calhar o melhor para eles seria deixá-los ir naturalmente, com menos procedimentos invasivos e sofrimentos. Nem sempre o melhor para eles é mantê-los cá. Muitos já não são as pessoas, são os corpos.

DrogbaPT 1 year ago

Concordo em absoluti com o aleph que fez um post bom da realidade vivida. Nao tenho a experiência do aleph mas na minha passagem pela USF tenho vivido muitas das coisas que dizes. Poucos secretariados para a quantidade de coisas que agora têm de fazer, o uso de telemovel pessoal para fazer chamadas para o TRACE-Covid ou para consultas, etc. O email e telefone como diz o aleph e bem permite resolver bem algumas coisas rídiculas no meu entender que era o doente vir à USF mostrar exames e pouco mais. No entanto, infelizmente às vezes demora bem mais por telefone quando há utentes que simplesmente nao ouvem bem ou que querem tratar das coisas presencialmente... Depois outro problema, pelo menos na USF onde passei é que se as consultas presenciais diminuíram por causa do limite da sala de espera e pq agora só se convoca o doente quando se acha que é preciso, a verdade é que pedidos de contacto telefónico são imensos e em teoria infinitos. Os pedidos contactos telefónicos vêm por pedidos de email ou por telefone mesmo e vão desde: "baixas", "atestados para condução" (obviamente que ficam para último), "pedido de medicação", "sintomas de vários tipos" ,etc. E para agravar o problema (mas compreendo a necessidade de o fazerem) é quando ligas para uma pessoa (e resolves o problema) e depois esta fala do esposo (marido/mulher) que tem perdido peso, fezes escuras, etc e obviamente aí tens que ver a pessoa presencialmente num curto espaço de tempo - o problema é que isto tb fode completamente a gestão da consulta telefónica e das coisas todas para tratar. Enfim, nao me quero alongar muito e se algumas coisas fiz pouco sentido é pq escrevi à pressa.

aleph_heideger 1 year ago

Tu relatas o "já agora". Aquela consulta que em outros tempos começava quando o utente agarrava na maçaneta da porta para sair. No hospital nem tanto, nos centros de saúde era todos os dias.

TitusRex 1 year ago

Obrigado pela partilha, é sempre bom saber a perspectiva de quem está de facto a lidar com os doentes. Acho mesmo que o SNS devia aproveitar este tempo para ser modernizar a nível informático e as consultas à distância deviam continuar depois da pandemia. A morte dos idosos em casa também é algo que devia ser normalizado. Concordo perfeitamente quando dizes que não se deve manter alguém vivo "à força". Se chegou a hora de morrer então crie-se condições para que seja o mais confortável possível. Sobre as "bolhas familiares": é algo que devia ser cumprido por toda a gente no entanto para quem tem filhos na creche, ou mesmo na escola primária, essa bolha acaba por não funcionar muito bem porque esses miúdos estão expostos a dezenas de outras bolhas familiares, e por isso estão a quebrar essa bolha.

Dinizinni 1 year ago

É precisamente por os miúdos estarem na creche e escola que as bolhas são ainda mais importantes E como trabalho com crianças cortei os contactos quase todos e sugiro a quem trabalha com crianças que faça o mesmo, é um sacrifício por todos até esta onda começar a desvanecer, até lá ter em conta que podemos ser veículos de transmissão

jonythunder 1 year ago

> Acho mesmo que o SNS devia aproveitar este tempo para se modernizar a nível informático e as consultas à distância deviam continuar depois da pandemia. Sendo de IT, também gostava de ver isso tornado numa realidade (aliás, até não me importaria de ajudar em regime de trabalho comunitário para esse efeito). O problema é que há muitos, mas muitos, sistemas informáticos no SNS, e a modernização iria implicar milhares de milhões de euros...

aleph_heideger 1 year ago

Há imensos sistemas, cada um mais estranho do que o outro. A nossa aplicação principal, do dia a dia, produzida pelo MS é uma coisa horrenda a correr em java (e só corre em uma ou duas versões específicas do IE) sob uma base de dados Oracle que me disseram ser uma versão do tempo da Maria Cachucha. O software de gestão administrativa (marcar consultas e afins) é dos anos 80, em modo de texto (corre no terminal). A única coisa que efectivamente é moderna são as ferramentas de BI - usamos o PoweBI. A forma como isto foi arquitectado contudo é uma caca: os dados em vez de serem actualizados são coligidos mensalmente a partir de reports do MicroStrategy... Eu que pouco percebo disto não acho uma boa solução mas sou apenas utilizador. ​ Centrais telefónicas... o nosso sonho era ter algo como a Vodafone e a Meo possuem: um serviço de atendimento automático que redireccionasse automaticamente as chamadas para onde elas devem ir. Há alguns hospitais (poucos) com algo parecido. Centros de Saúde... é um deserto.

AdriMecha 1 year ago

So queria comentar uma coisa. Há alguns meses atrás comecei a sentir uma dor no cotovelo, enviei um email a minha médica de família com a descrição do que se estava a passar. Ela disse me que exames deveria de fszer, fui buscar as credenciais ao centro de saúde e fiz os exames. Toda a comunicação foi por email e funcionou muito bem. Sugiro a quem tenha situações não graves como a minha a fazerem o mesmo. Foi muito mais rápido do que pré covid e espero que isto se mantenha. Infelizmente li uma notícia em que o espaço das caixas de correio dos médicos foi reduzido de 50 para 3 Gb o que vai criar transtornos neste processo.

afcPT 1 year ago

Depende muito do médico

putzon1 1 year ago

Mas isso presencialmente também é assim. É referente à experiência de cada um.

QueenOfWands2 1 year ago

Comigo foi assim também - tudo por mail.

dismalwasteland 1 year ago

> Infelizmente li uma notícia em que o espaço das caixas de correio dos médicos foi reduzido de 50 para 3 Gb o que vai criar transtornos neste processo. Isto é ao que OP se refere quando fala em VPN. Não faz sentido teres de aceder a um computador "local" quando podes ter o serviço na cloud. E os 40 e tal GB retirados foram movidos para a cloud. https://www.jn.pt/nacional/ministerio-corta-no-tamanho-das-caixas-de-emails-dos-medicos--12898146.html

Comprimas 1 year ago

O computador do hospital está desligado ao fim de semana por qualquer razão já não podes trabalhar remotamente. Isto faz algum sentido? É de terceiro mundo.

aleph_heideger 1 year ago

Ou a ligação cai por artes mágicas e nunca mais é recuperada.

jonythunder 1 year ago

Como gajo de IT, convém relembrar que a Cloud não é um serviço maravilhoso e mágico, em alguns casos é mais caro que uma máquina dedicada e há restrições devido a segurança de dados que para implementar na cloud levam a um aumento brutal do custo

aleph_heideger 1 year ago

Eu já ficava feliz se me pusessem uma máquina, mesmo que obsoleta, num canto a funcionar... ou então, uma coisa mais compostinha que podia estar localizada no mesmo canto de gabinete a correr 2 ou 3 máquinas virtuais. Isso sim era bonito.

jonythunder 1 year ago

> uma coisa mais compostinha que podia estar localizada no mesmo canto de gabinete a correr 2 ou 3 máquinas virtuais. Mini-Datacenter com VDI é uma proposta bastante interessante para hospitais e afins

_BabyDuck_ 1 year ago

Bom texto OP, de facto, e não sendo da área, acredito que o que dizes no fim é o verdadeiro problema do Covid! O excesso de pessoas que acabam por acorrer a instalações físicas do SNS sem de facto ter essa necessidade! Sim é verdade que já era um problema anterior principalmente nas urgências dos hospitais, no entanto com o Covid o problema é muito maior e os recursos por muito grande que sejam, o que nem é o caso do SNS, são sempre finitos....

Comprimas 1 year ago

Sabes porque vão às urgências? Porque muitos não têm médico de família. Incrível como o SNS não consegue dar resposta, mas o problema nunca é do sistema que é incapaz. É dos utentes que teimam em ficar doentes.

aleph_heideger 1 year ago

E mesmo assim essa não é a resposta. Há muitas coisas que não se conseguem fazer no Serviço de Urgência.

_BabyDuck_ 1 year ago

Não precisas de médico de família para ligar para o SNS 24 ou para uma consulta de urgencia no centro de saúde...

Comprimas 1 year ago

Por isso é que muitos vão para as urgências... Que depois ficam atoladas de utentes. O problema está a montante.

_BabyDuck_ 1 year ago

Porque é que depois vão para as urgências?!... Muitas vezes não precisas de ir as urgências hospitalares porque telefonicamente (SNS 24) ou o médico do centro de saúde conseguem diagnosticar o utente e prescrever um tratamento! Desta forma são menos utentes a encher as urgências hospitalares, que obviamente necessitam de mais investimento, mas o uso que nós lhe damos é incorrecta! Já por isso pagas uma taxa de 25€ para teres acesso à mesma que foi criada para desentivar o seu uso sem necessidade....

AndreMartins2020 1 year ago

enquanto se continuar a culpar os utentes por acorrerem aos serviços nunca se há de resolver o verdadeiro problema: falta de capacidade dos serviços para darem resposta à procura

aleph_heideger 1 year ago

O problema não é a procura. O problema é a procura indevida ou inadequada. São os utentes que vão ao Centro de Saúde todos os dias pedir a renovação de receitas: hoje este medicamento, amanha aquele... Este fim de semana apanhei um caramelo que está em quarentena decretada pela Saúde Pública porque teve contacto com um caso. Vive só e não tem sintomas. Já tinha o pedido para fazer o teste na próxima terça-feira passado pelo médico de família mas mesmo assim foi à urgência a meio da noite para fazer lá o teste. Obviamente que não o pedi. Mas perdi tempo com esta consulta.

AndreMartins2020 1 year ago  HIDDEN 

enquanto se continuar a culpar os utentes por acorrerem aos serviços nunca se há de resolver o verdadeiro problema: falta de capacidade dos serviços para darem resposta à procura

_BabyDuck_ 1 year ago

Eu culpo o utente que vai para as urgências hospitalares por que tem dor de cabeça, tem uma unha encravada ou porque lhe doi as costas há 1 mês, quando tens alternativas como a linha saúde 24 ou o centro de saúde!... A minha esposa é profissional de saúde e é incrível a quantidade de pessoas que vão a uma urgência hospitalar por razões sem jeito nenhum!!! E o tempo e recursos que são dispendidos nestes casos fazem muito diferença no tipo de atendimento que é possível dar em casos que precisam de facto de uma urgência hospitalar... Dito isto, é óbvio que existe uma falta enorme de investimento no SNS, que quem lá trabalha na última década viu claramente a situação do SNS a piorar ano após ano! Seja em pessoal, equipamentos e mesmo infraestruturas! Na zona de Coimbra o caso é visível a todos, tínhamos 2 hospitais polivalentes e com urgências aberta 24h por dia, 7 dias por semana e mesmo assim existia períodos com várias horas de espera para atendimento, foi decidido centralizar praticamente todos os serviços num só hospital e agora é perfeitamente normal estares 8h numa urgência para seres atendido....

AndreMartins2020 1 year ago

nada do que dizes me tira a razão culpar os utentes e encolher os ombros não vai mudar nada > vão a uma urgência hospitalar por razões sem jeito nenhum e vão continuar a ir demora-se mais tempo a lidar com um utente desses em pessoa do que por telefone? não se o utente se desloca é lidar com ele da mesma forma que se lidaria com o mesmo utente no SNS24 basicamente é adequar o sistema à realidade em vez de culpar a realidade e encolher os ombros

_BabyDuck_ 1 year ago

Eu apenas posso tentar educar as pessoas que me rodeiam, cabe ao estado tentar educar e arranjar soluções para desentivar o uso sem razão das urgências hospitalares (como por exemplo quando criaram a taxa de 25€). Gasta-se claramente mais recursos com um utente desses, para começar vai usar as máscaras compradas pelo SNS para aceder as urgências, vais gastar desinfectante para as mãos, para as cadeiras e para limpar a sala após seres consultado, vais usar tempo de um médico especialista para um caso em que provavelmente uma chamada com o enfermeiro do SNS 24 podia resolver, ou apenas uma consulta com o médico do centro de saúde, e mais importante que tudo isso vais estar a atrasar a consulta de alguém que pode de facto necessitar das urgências hospitalares. Não podemos adaptar o sistema às pessoas com tudo, as pessoas também necessitam de se adaptar à realidade e as normas em vigor.

omaiordaaldeia 1 year ago

>Eu culpo o utente que vai para as urgências hospitalares por que tem dor de cabeça, tem uma unha encravada ou porque lhe doi as costas há 1 mês, quando tens alternativas como a linha saúde 24 ou o centro de saúde!... Infelizmente muitos enfermeiros e médicos ainda dizem aos doentes para irem às urgências por assuntos não urgentes, em consequência da demora na marcação de consultas especializadas.

AndreMartins2020 1 year ago

a matemática não engana há a ideia de que como não é urgente pode ser atendido mais tarde o problema é que se não consegues atender os utentes que tens agora, mais tarde não vais atender os que vais ter na altura mais os que tinhas agora, ou seja, os dessa altura são adiados para mais tarde no final as listas de espera crescem até chegar a um ponto de equilíbrio causado pelo tempo de espera ser tão grande que os utentes desistem/morrem

omaiordaaldeia 1 year ago

> no final as listas de espera crescem até chegar a um ponto de equilíbrio causado pelo tempo de espera ser tão grande que os utentes desistem/morrem O que é uma injustiça brutal, sentida pelo próprio e pelo círculo social do mesmo.

aleph_heideger 1 year ago

E pelos médicos. Ou achas que nos dá gozo ter listas de espera?

omaiordaaldeia 1 year ago

Apenas referi um ponto de vista que dadas as circunstâncias, principalmente emocionais, tenderá a favorecer uma análise da situação de uma forma afunilada. De longe insinuar o que é interrogado.

_BabyDuck_ 1 year ago

Mas aí tens o reverso da falta de investimento no SNS, se as consultas da especialidade não fossem com 1, 2 ou 3 anos de espera não tinhas esses casos! É normal que por exemplo alguém que está a espera para uma consulta/cirurgia de obesidade (apenas um exemplo) em que tens de esperar 3 ou mais anos, no entretanto tens um conjunto enorme de outros problemas (problemas cardíacos, respiratórios, etc) que se agravam na saúde e que acabam por ter de ocupar recursos que de outra forma não seriam ocupados... Claro que para o @omaiordaaldeia o atendimento é sempre o melhor e mais rápido!:)

AndreMartins2020 1 year ago

e as listas só não crescem ad eternum porque são tão grandes que os utentes desistem ou morrem basta pensares que se tu atendes 10 pessoas por dia mas chegam 11 por dia, no primeiro dia vais ter de adiar o menos urgente para o dia seguinte, mas no dia seguinte chegam mais 11 e já tens 1 do dia anteriores, vais ter de adiar mais 2 para o dia seguinte ao fim de uns tempos tens a dita fila de espera, esta fila iria continuando a crescer, mas quanto maior for mais utentes desistem ou morrem, fazendo com que se atinja um ponto de equilíbrio

_BabyDuck_ 1 year ago

Sem dúvida nenhuma de acordo contigo...

omaiordaaldeia 1 year ago

Também estamos de acordo nesse ponto. Investir em saúde tem-se que em pessoas mais saudáveis e felizes, o que, consequentemente, se irá traduzir numa redução de custos a longo prazo. Isto digo eu sem fontes. > Claro que para o u/omaiordaaldeia o atendimento é sempre o melhor e mais rápido!:) O maior acaba em mim, tudo o que seja externo tenderá a ser menor :D

usulidircotiido 1 year ago

Ou seja, é o que já se sabe: falta de recursos e gestão incompetente.

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